Bolsa fecha estável, Vale segura índice e Petrobras pesa; dólar encerra a R$ 5,10

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São Paulo -A Bolsa fechou em queda de 0,10%, estável, com as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) pesando no índice, pelo terceiro dia seguido, refletindo as mudanças na empresa, enquanto a Vale (VALE3) subiu forte sob efeito China e ajudou a segurar o principal indicador da B3.

Somado a isso, o exterior também colaborou com treasuries voltando a subir. Em uma semana agitada, o Ibovespa avançou 0,43%.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram 1,83% e 1,66% e da Vale (VALE3) avançaram 1,95%.

O principal índice da B3 caiu 0,10%, aos 128.150,71 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho recuou 0,07%, aos 129.005 pontos. O giro financeiro foi de R$ 23,8 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam mistos.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que o Ibovespa sentiu novamente o peso dos papéis da Petrobras, além da pressão sobre os juros, aqui e nos EUA. O avanço das ações da Vale ajudou para minimizar as perdas do índice da B3, que no final da sessão praticamente zerou as perdas.

Leonardo Santa, sócio da Top Gain, disse que a Bolsa está estável e sem notícias para alavancar o índice.

“Lá fora o mercado não sobe muito, está precificando muito o corte de juros [pelo Fed] e aqui sem grandes notícias. A Petrobras é impactada pela troca do presidente da empresa e a Vale salva um pouco com estímulo chinês [para o mercado imobiliário]. Mercado fica na expectativa para a próxima semana”.

Rodrigo Moliterno, especialista de renda variável da Veedha Investimentos, disse que a Bolsa está fechando no zero a zero e na semana positiva.

“Essa semana teve bastante emoção com a saída do CEO da Petrobras e isso fez com que o papel tivesse uma queda acentuada ao longo da semana, caindo mais de 12%. A ata do BC acabou trazendo volatilidade com o mercado tentando entender a nova leitura do próximo BC. A questão fiscal ainda paira no mercado. Em relação às ações, as de consumo acabaram sofrendo e commodities tiveram bom desempenho com dados da China e pacote para [incentivar] o setor imobiliário. O setor de proteína está fechando a semana no positivo. JBS sobe quase 18% na semana e Marfrig 16%”.

André Luiz Rocha, operador de renda variável da Manchester Investimentos, disse que a Vale sobe, mas não suficiente para alavancar o Ibovespa em razão da forte queda de Petrobras.

“A gente achou que as notícias positivas vindas da China- dado de atividade melhor [produção industrial de abril subiu 6,7% em base anual, acima dos 4,5% em março] e anúncio pelo governo para incentivar o setor da construção- pudessem contagiar o mercado hoje, mas não é o que a gente está vendo. A Vale está sendo um pilar para que a bolsa não caía mais do que propriamente fazer com que ela [bolsa] subia. Por outro lado, a gente tem a Petrobras caindo mais de 1%, com o mercado cauteloso com a nova gestão. A empresa já perdeu aproximadamente R$ 40 bilhões do valor de mercado desde o anúncio da demissão de Jean Paul Prates [ex-presidente da cia]. Ela deixou de estar entre as maiores petrolíferas do mundo”.

Rocha disse que o mercado aguarda falas de dirigentes do Fed para que eles possam trazer mais sinais sobre os cortes de juros nos Estados Unidos. Ontem ventilou a possibilidade de duas reduções- setembro e dezembro para que isso se concretize.

O dólar comercial fechou em queda de 0,54%, cotado a R$ 5,1019. A moeda refletiu, ao longo da sessão, um movimento de correção, além da agenda esvaziada. Na semana, a divisa estadunidense teve desvalorização de 1,08%.

Para o analista da Potenza Capital Bruno Komura, além do alinhamento global, a agenda esvaziada também contribui para o fortalecimento do real.

Segundo o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, “o dólar está ensaiando uma correção, com 80% de chances de o Fed iniciar o corte dos juros em setembro. Hoje o mercado está pautado no cenário internacional”.

Serrano acredita que o dólar, no curto prazo, tem espaço para cair a R$ 5,05.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecham majoritariamente em alta no último pregão da semana, em dia de agenda esvaziada, seguindo os Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano)

Por volta das 16h25 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 10,360%, de 10,365% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 10,655% de 10,625%, o DI para janeiro de 2027 ia a 11,010%, de 10,950%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 11,300% de 11,215 na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão mistos, com o Dow Jones atingindo o nível chave de 40 mil pontos pela primeira vez na história, enquanto Wall Street digere falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para descobrir caminhos sobre a taxa juros.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,34%, 40.004,35 pontos
Nasdaq 100: -0,07%, 16.686,00 pontos
S&P 500: +0,12%, 5.303,30 pontos

 

Com Paulo Holland, e Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência Safras News