Bolsa fecha em alta, renova máxima, amparada por Vale, siderúrgicas e sinais positivos em NY

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São Paulo – A Bolsa fechou em alta pelo quatro pregão seguindo, chegou a bater a região acima dos 126 mil pontos -126.662,01 pts-, maior patamar desde julho de 2021, com apoio da Vale (VALE3), ações de mineração e siderurgia, à exceção de Gerdau, e varejistas.

O exterior também contribuiu para o bom humor com as falas do dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Tom Barkin, que acredita na possibilidade de a inflação do país desacelerar de forma gradual.

As ações da Vale (VALE3) subiram 2,45%; CSN (CSNA3) liderou as altas do índice em 9,48% e Usiminas (USMI5) avançou 2,10%.

Já as ações da Gerdau (GGBR4) e da holding Metalúrgica Gerdau (GOAU3) foram as maiores queda de 4,32% e 4,61%, respectivamente, refletindo a decisão do Bank of America (BofA) de cortar a recomendação dos papéis da Gerdau (GGBR4) para neutra. O mesmo banco elevou as classificações das ações da Vale (VALE3), da CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) para compra.

A Petrobras (PETR 3 e PETR4) chegou a operar em alta e fechou mista.

Outro setor de destaque foi de varejo. Magazine Luiza (MGLU3) e o Grupo Casas Bahia (BHIA3) subiram 2,70% e 3,50%.

O principal índice da B3 subiu 0,94%, aos 125.957,06 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro avançou 0,86%, aos 126.930 pontos. O giro financeiro foi de R$ 23,1 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam em alta.

Ariane Benedito, economista e RI da Esh Capital, disse que as commodities e exterior puxam a Bolsa. “O fator commodities favorece o bom humor e o dirigente do Fed de Richmond, Barkin [Tom Barkin], afirmando a leitura de desaceleração inflacionária para a economia americana trouxe maior otimismo para as bolsas sendo também beneficiada pelo firme fechamento dos Treasuries [caiu a 4,418%]. Ele usou o termo teimosa [para se referir à inflação] e reforçou que isso leva o Federal Reserve a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo, fortalecendo a mensagem do Comunicado, dando a entender que a Ata que será divulgada amanhã [21] virá em linha com as expectativas”.

Em relação ao cenário doméstico, a economista da RI da Esh Capital comentou que os resultados setoriais e a agenda fraca de indicadores e do fiscal “trazem espaço para reflexo desse otimismo externo. Além disso, dados semanais da balança comercial de novembro [registrou superávit de US$ 6,003 bilhões até o momento em novembro] também corroboram para um setorial mais forte”.

Gabriel Mota, assessor de renda variável da Manchester Investimentos, disse que as commodities ajudam a impulsionar o Ibovespa e o destaque fica para Vale em dia de baixa liquidez.

“Basicamente esse movimento é atribuído à Vale, que atinge o maior patamar de preço desde abril de 2023 [quando saiu de R$ 95 para R$ 60] e pode ser explicado pelo fluxo estrangeiro; em 20 pregões, entre outubro e novembro, o ativo subiu 23%, há 4 dias [contando a sessão de hoje], a ação da mineradora bateu R$ 4 bilhões de volume, em se tratando de um giro do Ibovespa acima de R$ 20 bilhões, ela representa 25% do volume do índice; amanhã tem datacom dos dividendos da Vale. As siderúrgicas também sobem seguindo o minério; na contramão está Gerdau, tanto a holding como o braço operacional da empresa caem e, por enquanto não há notícias que explique essa queda”.

Mais cedo, Mota também ressaltou a valorização da Petrobras, outra ação de peso no índice. “Petrobras sobe acompanhando o petróleo e amanhã tem a datacom dos dividendos. O investidor que ficar posicionado até o fechamento do dia de amanhã tem direito de receber os dividendos, mas a questão da assembleia no final do mês em que vão decidir algumas diretrizes da empresa deixa o mercado cético porque acredita que pode ter algumas medidas que sugerem ingerência política.

Já as empresas de consumo seguem toada da semana passada após alguns avanços da pauta política e pelo CPI [inflação dos EUA ficou estável contra estimativa de alta de 0,1%], que foi importante para destravar valor das ações, disse o assessor de renda variável da Manchester Investimentos.

O dólar comercial fechou em queda de 1,10%, cotado a R$ 4,8510. A moeda refletiu, ao longo da sessão, a melhora do ambiente global, com a sensação de que o Fed não irá voltar a subir os juros. A alta das commodities também favoreceu o real.

Segundo o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, a perda de tração da economia dos Estados Unidos e a precificação de que o Fed não irá subir mais os juros, faz com que o real e seus pares ganhem força.

Borsoi entende que a perspectiva de que o Banco Central eventualmente estenda o ciclo de cortes na Selic faz com que o diferencial de juros brasileiro diminua, mas observa que “a dinâmica é muito positiva, e o Brasil vai se beneficiar da alta das commodities”.

Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, “o movimento de valorização do petróleo ajuda o real. Os investidores projetam uma semana positiva para os ativos de risco, com a agenda esvaziada”.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecham majoritariamente em alta. Há cerca de uma hora, as taxas haviam virado, puxadas pelos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) que ainda operam em terreno negativo depois dos leilões realizados nos Estados Unidos.

Por volta das 16h40 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2024 tinha taxa de 11,960% de 12,962% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 projetava taxa de 10,490% de 10,455%, o DI para janeiro de 2026 ia a 10,210%, de 10,590%, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,325 % de 10,570% na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar operava em queda, cotado a R$ 4,8540 para a venda.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo positivo, para iniciar uma semana encurtada devido ao feriado, impulsionadas por fortes ganhos no setor de tecnologia liderados por Microsoft e Nvidia.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,58%, 35.151,04 pontos
Nasdaq 100: +1,13%, 14.284,5 pontos
S&P 500: +0,73%, 4.547,38 pontos

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência CMA

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