Bolsa fecha em alta em linha com exterior e Petrobras em meio à guerra entre Israel-Hamas; dólar cai

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São Paulo -A Bolsa fechou em alta, recuperou o patamar dos 115 mil pontos, acompanhando o bom humor em Wall Street em meio à declaração de um dirigente do banco central norte-americano de que o núcleo da inflação vai desacelerar mais nos EUA. Mas, o pregão não operou todo o dia no positivo.

Na primeira metade da sessão, os investidores repercutindo a escalada da guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas e o impacto no cenário internacional. Com o conflito, o petróleo disparou e o temor seria de aumento dos preços e mais juros.

As petroleiras foram beneficiadas com a valorização do petróleo. A Petrorio (PRIO3) liderou a alta no Ibovespa em 8,77%. A PertroReconcâvo (RECV3) avançou 8,70%. Petrobras (PETR3 e PETR4) subiu 4,09% e 4,629%. 3RPetrolium (RRRP3) aumentou 6,01%.

As companhias aéreas foram destaque de baixa. Azul (AZUL4) caiu 2,97%. Com a alta do petróleo fica a preocupação que o preço do querosene aumente.

O principal índice da B3 subiu 0,86%, aos 115.156,07 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em outubro aumentou 0,71%, aos 115.500 pontos. O giro financeiro foi de R$ 19 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam no positivo.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que a Bolsa reagiu negativamente no início do dia, assim como seus pares, mas acompanhou a melhora global a partir do início da tarde em meio às falas do vice-presidente do Fed, Phlip Jefferson, ao trazer previsão de que o núcleo de inflação dos EUA desacelerará mais e que o BC vai proceder com cautela após a alta recente dos treasuries.

O economista e sócio da Nomos disse que “enquanto não há clareza sobre o real efeito do conflito Hamas-Israel sobre a economia mundial, os investidores se focaram no que tem impacto imediato. À princípio, enquanto não se trabalha com uma ampliação do conflito, o impacto sobre os preços se limitou sobre o que se tem maior certeza, com destaque para o petróleo”.

Leandro Petrokas, diretor de reasearch e sócio da Quantzed, disse que o Ibovespa passou a operar no campo positivo “puxado praticamente pelo desempenho das ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) com a alta do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio e o setor petroleiro se beneficia da valorização da commodity. Outras ações de maior peso no índice, como bancos (Itaú, Bradesco e Banco do Brasil), mineração e siderurgia (Vale, CSN, Gerdau e Usiminas) trabalham no campo negativo”.

As ações de Casas Bahia (BHIA3) recuaram 4,91% no pregão de hoje. O mercado segue não gostando do case, após uma sequência de trimestres de resultado negativo. O follow-on da empresa também causou grande diluição dos acionistas minoritários e continua não agradando o mercado.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, disse que falas do vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, ajudaram a melhorar os índices lá fora e o Ibovespa. “Ele comentou que projeta uma inflação desacelerando e que as condições do mercado apertadas estão em seu radar”.

O vice-presidente do Fed disse que o período é de muita atenção. Chegamos em ponto de muita cautela para sabermos se devemos aumentar as taxas.

A piora da guerra e o petróleo em alta poderiam pressionar a inflação e, em consequência, exigir mais cautela do banco central norte americano na decisão de juros. A reunião do Fed será nos dias 31 de outubro e 01 de novembro.

Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos, disse que a Petrobras e petroleiras seguram o índice em dia de baixa liquidez com o feriado nos Estados Unidos, apesar das bolsas estarem funcionando o mercado de treasuries [mais seguro do mundo] está fechado.

“O mercado está um pouco mais cauteloso se tiver escalada da guerra com outros países, não vemos esse cenário se concretizando, mas é cautela ao inverso que puxa a o petróleo pra risco poucas ações sobem; a queda das mineradoras e siderúrgicas é explicada pelo recuo do minério de ferro e a volta do feriado na China”.

Mota ressaltou que todas as empresas que dependem demanda externa e interna têm precificado essa questão da guerra com os juros mais altos por mais tempo no mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Na semana passada, a gente viu essa precificação de juros mais altos lá fora, agora começa a se intensificar esse movimento por conta do petróleo mais elevado. A commodity mais alta traz mais inflação em nível global e podemos ver um Fed mais cauteloso que já estava porque não sabe se o rumo que a guerra vai tomar. Já se comenta que o petróleo pode chegar a US$ 100 o barril; se tiver aumento de juros nos Estados Unidos, o Copom fica mais conservador e se esvazia a expectativa de queda da Selic de 0,75pp.

Ubirajara Silva, gestor de renda variável, disse que a semana começa no negativo com o Ibovespa futuro acompanhando o mercado externo por conta do conflito no Oriente Médio e as commodities são impactadas negativamente.

“O desenrolar da guerra reflete principalmente no petróleo, que sobe forte, e volta a pressionar os bancos centrais no mundo todo. Pode ser uma volatilidade passageira; na volta do feriado da China, o minério cai forte.; por aqui semana mais curta por conta do feriado e acaba esvaziando o Congresso”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,1310. A moeda, no período da tarde, refletiu as falas do vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Philip Jefferson, que deu a entender que as recentes altas nas taxas futuras podem ser um impeditivo em novos aumentos da taxa básica de juros, terminando, assim, o ciclo contracionista.

O conflito entre Israel e Hamas, contudo, seguiu no radar ao longo da sessão, além do feriado nos Estados Unidos que conferiu baixa liquidez à segunda-feira.

Segundo o head de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, a fala de Jefferson não apenas sugeriu que a alta tenha acabado, mas também que o Fed reconheceu que as taxas futuras podem ser um impeditivo ao crescimento da economia.

Weigt também observa que a alta das commodities beneficia o real na sessão de hoje. O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, acredita que a chance de o conflito escalar para outros países, um eventual dano que a infraestrutura de petróleo possa sofrer e um retrocesso em acordos de paz que envolvem os países da região são os três pontos que preocupam neste momento.

Por outro lado, observa Borsoi, o Brasil acaba se beneficiando desta situação, já que o país apresenta superávit na exportação de petróleo em 2023.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) operam em queda, depois de abrirem em alta. A piora do quadro global, com o conflito entre Israel e Hamas, é mais um ingrediente em um já combalido cenário mundial econômico, além da baixa liquidez na sessão, devido ao feriado nos Estados Unidos. A melhora do mercado tem sido atribuída à fala mais serena de um dos dirigentes regionais do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e por notícias de que o Hamas estaria aberto a negociar uma trégua.

O DI para janeiro de 2024 tinha taxa de 12,220% de 12,238% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 projetava taxa de 10,840% de 10,955%, o DI para janeiro de 2026 ia a 10,655%, de 10,830%, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,885% de 11,070% na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam a sessão em alta, se recuperando das perdas no início do dia, enquanto Wall Street superava as pressões geradas pelo conflito entre Israel e Hamas.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,59%, 33.604,65 pontos
Nasdaq 100: +0,39%, 13.484,2 pontos
S&P 500: +0,63%, 4.335,66 pontos