Bolsa e dólar sobem em dia de indicadores fracos no Brasil

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São Paulo – O Ibovespa fechou em alta moderada depois de uma tensão na qual imperaram a baixa liquidez e a ausência de notícias capazes de mexer com os mercados financeiros devido ao esvaziamento da agenda pelas festas de fim de ano. Com isso, a bolsa subiu 0,70% nesta terça-feira, encerrando aos 116.636,18 pontos e giro de pouco mais de R$ 22,7 bilhões.

O principal índice do mercado brasileiro de ações chegou a dar uma patinada no início da tarde, acompanhando um recuo em Wall Street, antes de voltar a subir, recuperando parcialmente as fortes perdas da véspera enquanto acompanhava a alta nos mercados de ações da Europa, que hoje se recompuseram do susto inicial provocado pelo surgimento de uma nova cepa do novo coronavírus.

Hoje, afirmações de cientistas segundo os quais as vacinas em desenvolvimento são eficazes também contra a mutação recém-descoberta tiram um pouco do peso sobre os mercados financeiros internacionais, onde os investidores dão preferência à repercussão da aprovação de um pacote de estímulo à economia dos Estados Unidos pelo Congresso na noite de ontem e da recuperação do PIB norte-americano no terceiro trimestre.

No cenário local, além do avanço desenfreado da pandemia, analistas chamaram a atenção para a leitura do IPCA-15, que acelerou em dezembro, mas ficou aquém das expectativas dos participantes do mercado. Todo esse cenário mostrou-se favorável à recuperação do Ibovespa hoje, segundo a equipe da Mirae Asset.

O dólar comercial fechou em alta de 0,78% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1630 para venda, no maior valor de fechamento em duas semanas, acompanhando o exterior onde investidores dão continuidade ao movimento de cautela em meio às incertezas geradas pelos desdobramentos de uma nova variante do novo coronavírus. Com isso, a moeda engatou a terceira alta seguida.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, ressalta o movimento volátil da moeda estrangeira ao longo da sessão, acompanhando o exterior, onde ganhou terreno ante as divisas pares e de países emergentes.

“O dólar teve uma queda pontual pela manhã, motivada por um fluxo de entrada de recursos de investidores estrangeiros. Em seguida, passou a subir e manteve o viés positivo ao longo da sessão diante dos sinais de fragilidade da economia dos Estados Unidos”, avalia.

Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, o dólar deverá seguir o exterior à véspera das festividades de Natal. Na agenda de indicadores, os destaques ficam para os dados de renda e de gastos pessoais no mês passado nos Estados Unidos, além dos pedidos de seguro-desemprego no país na semana encerrada no sábado.

“É uma agenda um pouco esvaziada. Então, o dólar deve continuar acompanhando o exterior, já que o movimento de cautela deverá seguir amanhã sem previsão de notícias que possam reverter este cenário”, comenta.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) encerraram a sessão de hoje em queda acentuada, diante do indicador de inflação, o IPCA-15, divulgado na manhã de hoje e que veio abaixo do previsto pelo mercado. A alta do dólar comercial chegou a fazer pressão nas taxas, mas acabou sendo minimizado ao longo do pregão.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 2,90%, de 2,960% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,30%, de 4,410%; o DI para janeiro de 2025 estava em 5,88%, de 5,94%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,66%, de 6,72%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano terminaram o dia em queda, pressionados pela nova variante do coronavírus que levou a mais medidas restritivas na Europa e ofuscou a nova rodada de estímulos nos Estados Unidos. A exceção foi o Nasdaq, que fechou a sessão em recorde ajudado pela Apple.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,67%, 30.015,51 pontos

Nasdaq Composto: +0,51%, 12.807,92 pontos

S&P 500: -0,20%, 3.687,26 pontos