Bolsa e dólar sobem acompanhando mercado externo

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Foto: Sergio Roberto Bichara / freeimages.com

São Paulo – Em dia volátil, o Ibovespa acelerou fortemente os ganhos no fim do pregão e fechou em alta de 1,70%, aos 95.983,09 pontos, puxado pela melhora das Bolsas norte-americanas e pelas ações de bancos. Há notícias de que autoridades aliviarão normas regulatórias para o setor financeiro nos Estados Unidos e investidores estão vendo indicadores econômicos mais positivos apesar do aumento de casos de coronavírus.

Segundo membros da Comissão Federal de Seguros de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês) as mudanças regulatórias nos Estados Unidos poderão fazer com que bancos façam mais facilmente grandes investimentos em capital de risco e fundos similares, afrouxando regras que haviam sido impostas com a crise de 2008. Ainda havia expectativa de que os resultados de testes de estresse de bancos feito pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sejam positivos.

Com isso, as ações de bancos como Wells Fargo, JPMorgan e Citigroup aceleraram ganhos. Por aqui, os bancos seguiram os pares no exterior e também passaram a subir mais, caso dos papéis do Bradesco (BBDC4 2,49%) e do Itaú Unibanco (ITUB4 0,96%).

Além da puxada de bancos no exterior e no Brasil, analistas têm afirmado que há expectativa que as economias ainda sigam se recuperando diante de dados divulgados, embora deixem claro que o aumento de casos de coronavírus, principalmente em estados norte-americanos, pode continuar trazendo volatilidade.

“O mercado abriu fraco, mas o humor melhorou lá fora e acompanhamos. Dados como o PIB dos Estados Unidos vieram como o esperado”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi. Além do PIB, foram divulgados os pedidos de seguro-desemprego, que caíram na semana, apesar de menos do que o esperado pelo mercado, além dos pedidos de bens duráveis, que vieram bem acima do previsto em maio.

No Brasil, por sua vez, analistas veem notícias mais positivas, como a aprovação do esperado novo marco regulatório do saneamento básico pelo Senado ontem, que facilita privatizações no setor e pode atrair investimentos. Ainda é citada a redução dos embates entre o presidente Jair Bolsonaro e o Judiciário e a indicação do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli.

Entre as ações, as maiores altas do índice foram da WEG (WEGE3 6,64%), da CCR (CCRO3 8,95%) e da Ecorodovias (ECOR3 5,91%). A WEG informou que pagará R$ 80,2 milhões em juros sobre capital próprio para acionistas, enquanto o BTG Pactual manteve a recomendação neutra para os papéis, mas elevou preço-alvo de R$ 46,00 para R$ 52,00.

Na contramão, as maiores quedas do índice foram da Sabesp (SBSP3 -1,78%), que mostram uma realização de lucros depois da aprovação do marco legal do saneamento, além das ações da CVC (CVCB3 -2,93%) e da Braskem (BRKM5 -1,72%).

Na agenda de amanhã, os destaques serão os dados de renda e gastos pessoais e o índice de confiança do consumidor, nos Estados Unidos.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o Ibovespa pode seguir acompanhando mercado externo, sendo que as notícias de aumento de casos de covid-19 continuarão ser o grande fator de volatilidade. “O mercado segue cauteloso e de olho na segunda onda de coronavírus”, disse.

O dólar comercial fechou em alta de 0,18% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3300 para venda, em dia de forte volatilidade, no qual a moeda operou sem direção definida em boa parte da sessão digerindo notícias e dados do exterior e movimento técnico local.

O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, destaca que o primeiro movimento de volatilidade foi observado quando a moeda chegou às máximas logo na abertura da sessão, a R$ 5,38, o que levou investidores a um “forte desmonte de posições”.

Isso somado ao leilão de linha – venda de dólar com compromisso de recompra – realizado pelo Banco Central (BC) e que colocou no mercado US$ 1,5 bilhão. Esses fatores levaram a moeda estrangeira às mínimas de R$ 5,26.

“O desmonte foi estimulado, sobretudo, pelas expectativas de injeção de estímulos pelo Federal Reserve [Fed, o banco central norte-americano]. Além de uma correção na alta de ontem”, diz.

A estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, acrescenta que a moeda também reagiu aos dados de seguro-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 20 de junho, no qual somou 1,480 milhão de pedidos. “Contribuíram um pouco positivamente. Eu vejo que os pedidos deram uma estabilizada”, reforça.

Porém, o exterior trabalhou em modo de cautela, o que levou a moeda a oscilar em alta ao longo da tarde. “A gente tem visto muita volatilidade nas últimas semanas em meio à um fluxo forte de notícias e um misto de notícias boas e ruins. Aí não tem como a moeda definir uma direção”, comenta.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para os dados sobre renda e gastos pessoais nos Estados Unidos em maio. A estrategista do Ourinvest diz que o cenário externo deverá novamente ditar os rumos da divisa norte-americana, enquanto observamos “uma pausa” nos ruídos políticos. “Mas não vejo nada diferente de volatilidade às vésperas do fim de semana e do fim de mês”, diz.