BC do Reino Unido corta juros em reação a coronavírus

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Sede do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). Foto: Divulgação; Banco da Inglaterra

São Paulo – O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) adotou uma série de medidas para combater potenciais prejuízos econômicos causados pelo surto de coronavírus, entre elas uma redução surpresa de 0,50 ponto porcentual (pp) na taxa básica de juros, a 0,25% ao ano.

Segundo a instituição, o pacote de medidas “ajudará as empresas e famílias do Reino Unido a atravessar a perturbação econômica que provavelmente virá associada ao Covid-19”, disse o BoE em nota, referindo-se ao nome da doença transmitida pelo novo coronavírus. “Estas medidas ajudarão a manter as empresas fazendo negócios e as pessoas nos empregos, e ajudarão a evitar que problemas temporários gerem prejuízos econômicos mais duradouros”, acrescentou.

A instituição considera “incerta” a magnitude dos impactos que os esforços de contenção do coronavírus terão sobre a economia, mas prevê que “a atividade deve se enfraquecer materialmente no Reino Unido nos próximos meses”, afetando o fluxo de caixa das empresas e aumentando a demanda por crédito no curto prazo “Este choque econômico afetará tanto a demanda quanto a oferta”, acrescentou.

Além do corte de juros, que foi aprovado por unanimidade pelo comitê de política monetária do BoE, o grupo também decidiu introduzir uma nova linha de financiamento voltada a pequenas e médias empresas financiada pela emissão de reservas do banco central.

Nos próximos 12 meses, a linha (TFSME, na sigla em inglês) deixará disponíveis financiamentos de quatro anos correspondente a pelo menos 5% do estoque de empréstimos voltados à economia real de cada um dos participantes que acessar o instrumento. As taxas serão iguais, ou muito próximas, da taxa básica de juros.

“Haverá financiamento adicional disponível para os bancos que aumentarem os empréstimos, especialmente para pequenas e médias empresas. A experiência do Esquema de Financiamento a Termo lançado em 2016 sugere que a TFSME pode gerar mais de 100 bilhões de libras em empréstimos a termo”, disse o BoE.

O banco central afirmou em documento que a nova linha precisa ser introduzida porque provavelmente será difícil para alguns bancos reduzir rapidamente as taxas de juros que cobram nos empréstimos.

Outra medida anunciada pelo BoE foi a redução da chamada reserva de capital contracíclica de 1% para zero por pelo menos 12 meses.

Essa taxa determina o quanto do capital os bancos devem deixar reservado durante períodos de rápida expansão do crédito para poderem usar futuramente, quando esse ritmo desacelerar. A expectativa anterior era de que essa taxa chegasse a 2% até o final deste ano.

“A liberação da reserva de capital contracíclica ajudará em até 190 bilhões de libras em empréstimos bancários às empresas. Isto é equivalente a 13 vezes o volume de crédito líquido às empresas em 2019. Junto co a TFSME, isto significa que os bancos não devem ter obstáculos para oferecer crédito à economia do Reino Unido e para atender às necessidades das empresas e famílias.”

Outra medida adotada pelo BoE foi alterar a orientação do órgão de supervisão do banco central para que os bancos não aumentem dividendos nem pagamentos de bônus enquanto as medidas estiverem em vigor.

“Os grandes bancos do Reino Unido são capazes de suportar perturbações severas no mercado. Eles detêm 1 trilhão em ativos líquidos de alta qualidade, o que lhes permite cumprir as obrigações vincendas por muitos meses”, acrescentou o BoE.