AIE prevê que demanda de petróleo chega a níveis pré-pandêmicos em 2022

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São Paulo – A demanda global de petróleo deve retornar aos níveis pré-pandêmicos até o final do próximo ano, o que deve impelir os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a aumentarem a produção de petróleo, informa o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE).

A agência prevê que a demanda crescerá 5,36 milhões de barris por dia (bpd) este ano e mais 3,07 milhões de bpd em 2022, para a média de 99,46 milhões de bpd no próximo ano.

“Nossa primeira análise detalhada de 2022 confirma as expectativas anteriores de que a Opep precisa abrir as torneiras para manter os mercados mundiais de petróleo adequadamente abastecidos”, disse a AIE. “A demanda global de petróleo continuará a se recuperar e, na ausência de novas mudanças de política, no final de 2022 chegará a 100,6 milhões de bpd”.

“A recuperação será desigual não apenas entre as regiões, mas entre os setores e produtos. Embora o fim da pandemia esteja à vista nas economias avançadas, a distribuição lenta da vacina ainda pode prejudicar a recuperação em países não pertencentes à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, disse a agência.

O órgão fiscalizador de energia com sede em Paris espera que a demanda por combustível de aviação e querosene cresça 1,5 milhão de bpd em 2022, a gasolina 660 mil bpd e o diesel 520 mil bpd.

“Atender o crescimento esperado da demanda provavelmente não será um problema”, disse a AIE. “Mesmo depois de aumentar a produção de petróleo em cerca de 2 milhões de bpd durante o período de maio a julho, a Opep + terá 6,9 milhões de bpd de capacidade sobressalente efetiva.”

A AIE espera que a oferta de fora do grupo Opep + aumente em 710 mil bpd este ano, enquanto os países da Opep + poderiam aumentar a produção em 800 mil bpd “se o bloco mantiver sua política existente”. Ela espera que o fornecimento global de petróleo cresça a um ritmo mais rápido em 2022 “com os Estados Unidos gerando ganhos de 1,6 milhão de bpd de produtores fora da aliança Opep +”. A previsão é que os norte-americanos adicionem mais de 900 mil bpd de fornecimento no próximo ano, com Canadá, Brasil e Noruega também contribuindo para o crescimento.

“Isso deixa espaço para a Opep + aumentar a produção de petróleo bruto em 1,4 milhão de bpd acima de sua meta de julho de 2021 a março de 2022 para atender ao crescimento da demanda”, disse a agência. “Mesmo se os produtores da Opep + preenchessem a lacuna criada pelo crescimento da demanda, a produção do bloco ainda seria mais de 2 milhões de bpd abaixo da média de 2019”, enquanto a produção não pertencente à Opep + estará “bem acima dos níveis de 2019”.

O ritmo em que os cortes de produção da Opep + podem ser revertidos dependerá do sucesso em conter a propagação da covid-19, do nível de crescimento da demanda e do tempo para o retorno dos barris iranianos ao mercado, disse. Caso as sanções dos Estados Unidos ao Irã sejam suspensas, um adicional de 1,4 milhão de bpd poderia chegar ao mercado “em um pedido relativamente curto”, disse a AIE.