MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa caminha para uma semana negativa reflexo da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Para ajudar a empurrar os mercados um pouco mais para baixo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou hoje uma confusão nas redes sociais, apagando e depois voltando atrás nos discursos sobre tarifas de produtos chineses.

“A semana toda foi impactada plea guerra comercial. Tivemos a sessão da Previdência na terça-feira, mas sem surpresas, deixando a semana contaminada pela discussão entre China e Estados Unidos. É algo mundial, não é algo que afetou apenas nosso mercado. Internamente, se a reforma [da Previdência] tivesse andado, nós poderíamos ter se destacado dos mercados globais”, afirmou Pedro Galdi, analista de investimento da Mirae Asset Corretora.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,96% aos 93.895,34 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,89% aos 94.350 pontos.

Hoje, dia em que passam a valer as taxas impostas sobre produtos chineses, Trump apagou suas postagens em que anunciava o aumento de tarifas adicionais sobre produtos da China e o redirecionamento das tarifas para a compra de produtos de fazendeiros do país, mas voltou a publicá-las minutos depois.

Cerca de 17 minutos depois, Trump republicou o mesmo texto em que anunciava o aumento de tarifas, mas retirou a parte em que afirmava que teria US$ 85 bilhões para projetos em infraestrutura, saúde e outros setores do país, e que teria US$ 15 bilhões para aquisições de produtos agrícolas de fazendeiros norte-americanos. Ele também retirou a parte em que dizia que os Estados Unidos iriam acelerar ao mesmo tempo em que a China iria desacelerar.

“Aqui no Brasil as coisas também não estão ajudando. Estamos no final da temporada de balanços. Hoje tivemos as vendas no varejo, com dados fracos. Tem o Banco Central também que não sabe o que fazer com a Selic [taxa básica de juros], não sabe se aumenta ou se diminui. Com tudo isso, estamos dependendo do cenário externo para melhorar”, explicou Galdi.

O dólar comercial passou a subir com investidores em busca de proteção às vésperas do fim de semana. Os mercados têm dia tenso após os Estados Unidos manterem as ameaças feitas pelo presidente Donald Trump no fim de semana e começar a cobrar as tarifas de 25% sobre produtos chineses. Antes, a alíquota era de 10%. A China promete retaliar, mas sem detalhar como.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,22%, sendo negociado a R$ 3,9630 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,27%, cotado a R$ 3,966.

Para o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, apesar do viés de correção das moedas de países emergentes, aqui, o mercado “trabalha protegido” à véspera do fim de semana. “Teve um fluxo de saída bem interessante e R$ 3,96 é nível para vendedor”, comenta.

O economista de uma corretora nacional pondera que o ambiente de incertezas prevalece influenciado por Estados Unidos e China. Após as tarifas entrarem em vigor, hoje, o Ministério do Comércio chinês emitiu nota lamentando “profundamente” que será preciso “tomar as contramedidas necessárias”.

O governo chinês ainda confirmou a décima primeira rodada de negociações comerciais com o país. “Espera-se que ambos os lados trabalhem juntos para resolver os problemas existentes através da cooperação e consulta”, completou o comunicado. O documento foi emitido após uma série de tweets de Trump, que anunciou o aumento das tarifas.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, na contramão da alta ensaiada pelo dólar, reagindo ao aumento menor que o esperado da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA) em abril. Os investidores calibram as apostas em relação ao juro básico, aumentando as chances de corte na Selic pelo Banco Central ainda neste ano. Com isso, os negócios com DIs relegam a escalada da tensão comercial entre Estados Unidos e China, que impacta os mercados domésticos com ações e moeda.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,390%, de 6,405% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,88%, de 6,93% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,00%, de 8,06%; e o DI para janeiro de 2025 estava em 8,54%, de 8,58%, na mesma base de comparação.

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