XP Investimentos passa a prever Ibovespa a 115 mil pts apenas em 2021

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Gráfico

São Paulo – A XP Investimentos atualizou sua projeção para o Ibovespa e continua a ver o seu “valor justo” em 115 mil pontos, mas passou a esperar que o índice chegue nesses níveis apenas na metade de 2021 e não mais ao final deste ano. Segundo os analistas da corretora, a alteração do prazo se deve ao aumento das incertezas e aversão ao risco, o que deve continuar pressionando os múltiplos de negociação das empresas brasileiras.

Já para o final de 2021, a previsão é de um valor justo para o índice de 124,5 mil pontos, 32% acima dos níveis atuais. O cálculo é feito com base nas estimativas de lucros do consenso e da XP para as 77 empresas que compõem o Ibovespa para os anos de 2021 e 2022.

Os analistas destacam que durante o mês de outubro, as preocupações em relação à pandemia voltaram a pressionar os mercados no mundo todo, com o avanço da segunda onda levando a novas restrições e “lockdowns” parciais em vários países. Além disso, os mercados foram afetados pela proximidade e incerteza nas eleições americanas e pela falta de um acordo para novos estímulos nos Estados Unidos, que era esperado para antes das eleições.

As novas restrições de circulação social também trouxeram temores de que a economia passe a se recuperar em “W”. “Sem a vacina no curto prazo, há preocupações em relação ao retorno de restrições, comportamento mais cauteloso dos consumidores, inadimplência e desemprego elevados, que prolongariam a queda e levariam a uma recuperação econômica em W, com um aumento da aversão a risco nos mercados”, disseram em relatório. No entanto, lembram que até agora o que foi visto no Brasil e no mundo foi uma recuperação em “V”.

ELEIÇÕES NOS EUA

Em relação às eleições norte-americanas, que terminam hoje, a XP acredita que a vitória do democrata Joe Biden já é largamente esperada pelo mercado, assim como uma maior probabilidade de um Congresso controlado por uma maioria democrata. Mas ainda há a possibilidade de que outros cenários se concretizem e a corretora avaliou cada um deles.

No caso de o presidente norte-americano Donald Trump se reeleger e o Congresso se manter dividido, a previsão é que o mercado reaja positivamente pela continuidade do governo e pela possível aprovação de um pacote de estímulos econômico após as eleições, no valor de US$ 1,8 trilhões. No caso de Biden ser eleito e o Congresso continuar dividido, a reação também seria positiva, com essa configuração diminuindo a probabilidade de os democratas aprovarem um plano de aumento de impostos impopular e podendo levar a um pacote de estímulos maior, de pelo menos US$ 2,0 trilhões.

Já caso Biden seja eleito com Senado e Câmara com maioria democrata, por pequena margem, a o cenário é visto como neutro, sendo negativo no curto prazo, mas positivo médio/longo prazo. “Inicialmente pode ser visto como negativo pelo mercado, mas provavelmente se recuperando em seguida. Isso porque uma pequena maioria no Senado não deve dar vantagem suficiente aos democratas para levar em frente e aprovar medidas impopulares, como um aumento de impostos. Além disso, esse já é o cenário base precificado no mercado hoje, e não deveria trazer tantas incertezas”, avaliam.

Outro cenário é Biden eleito com Senado e Câmara com maioria democrata, por ampla margem, o que acreditam que deve ser visto como negativo, dado o aumento de regulação antitruste mais agressiva e controles de preços de medicamentos, com mais setores tendo aumentos de impostos.

Por fim, outra possibilidade é a eleição ser contestada na Suprema Corte, o que seria o pior para o mercado no curto prazo, pois a incerteza de quem ganhará a eleição aumenta. Também aumenta a probabilidade de tensões sociais se elevando nos Estados Unidos, como visto ao longo dos últimos meses.