Venda de refinarias da Petrobras será desafio regulatório, diz ANP

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São Paulo – A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) disse que a venda das refinarias da Petrobras deve ser um dos principais desafios da atividade regulatória do mercado de combustíveis em 2021.

“Os principais desafios da ANP na regulação do mercado de distribuição de combustíveis serão o cumprimento da agenda regulatória, o novo formato de comercialização do biodiesel, a solução de abastecimento e desinvestimento da Petrobras, o monitoramento dos estoques de combustíveis e a atração de investimentos e promoção de concorrência”, listou o assessor técnico da superintendência de Distribuição e Logística do órgão, Thiers de Cruz e Alves, no seminário de avaliação do mercado de combustíveis.

BALANÇO DE 2020

Em 2020, a ANP registrou a comercialização da 131 bilhões metros cúbicos (m/3) de combustíveis em 2020, queda de 5,97% em relação a 2019, devido às restrições de circulação da pandemia.

“2020 foi um ano de desafios devido à pandemia de covid-19. Criamos um plano de contingenciamento por meio da implementação da resolução 53/2019 para continuar monitorando a distribuição de combustíveis no país”, segundo apresentação do superintendente de Distribuição e Logística, Cezar Caram Issa, em seminário de avaliação do mercado de combustíveis em 2020.

A maior queda foi em querosene de aviação, de 49,2%, para 3.546 mil metros cúbicos (m/3), seguido por etanol hidratado, com redução de 14,58%, para 19.258 mil m/3, gasolina, com baixa de 6,13%, para 38.824 mil m/3.

O ciclo otto teve queda mais significativa, de 9,27%, devido às restrições de circulação.

O consumo de GLP e óleo combustível, por sua vez, tiveram aumentos de 3,0% (3.607 mil m/3) e 6,8% (2.019), respectivamente.

“O aumento do consumo de óleo foi favorecido pelo câmbio e aumento do fluxo de comércio exterior, já que é o combustível de embarcações”, disse o assessor técnico da SDL, Thiers de Cruz e Alves. Já o GLP foi impulsionado pelo maior consumo doméstico.

O consumo de óleo diesel B também subiu 0,3% para 57.472 mil m/3, devido ao aquecimento do mercado de consumo , especialmente no segundo semestre de 2020.

As vendas de biodiesel tiveram alta de 13%, para 6.821 mil m/3 (volume negociado em leilões) e de 68% em faturamento, R$ 26,24 bilhões, impulsionada pela safra recorde de soja e ao mesmo tempo, aumento de demanda da commodity no mercado internacional.

AGENTES DO MERCADO

Ao final de 2020, a agência tinha mais de 120 mil agentes de mercado, com 1.130 fornecedores, divididos em 19 refinarias, 359 usinas de etanol, 50 produtores de biodiesel, 132 produtores de lubrificantes e 557 agentes de comércio exterior.