Vencimento de opções ajuda Bolsa a subir, dólar segue em alta

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,84%, aos 99.334,43 pontos, em função do vencimento de opções sobre o índice e puxado pela alta pontual de alguns papéis como os da JBS, que ampliou ganhos no fim do dia. Algumas ações também começaram a refletir expectativas sobre os seus balanços, com a temporada de resultados corporativos devendo começar em breve no Brasil.

Dessa forma, o índice se descolou da cautela vista nas Bolsas norte-americanas, voltando a patamares de quase um mês atrás. O volume total negociado foi de R$ 45,8 bilhões, incluindo o exercício de opções.

Segundo o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa, a briga entre comprados e vendidos está principalmente perto do patamar dos 100 mil pontos e o vencimento “traz volatilidade”, podendo explicar o movimento de alta mais forte hoje.

Os papéis da JBS (JBSS3 9,25%) mostraram a maior valorização do Ibovespa, passando a subir com mais força depois que a sua controladora, a J&F, celebrou um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, colocando fim a processos no qual foi acusada de violar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior do país. A empresa se declarou culpada e pagará multa equivalente a US$ 128,3 milhões, mas a JBS não é parte do acordo e não arcará com obrigações.

Ao lado da JBS, entre as maiores altas, ficaram as ações da Petro Rio (PRIO3 7,96%) e da Rumo (RAIL3 5,79%). Na contramão, as maiores quedas foram da Hering (HGTX3 -2,10%), das Lojas Renner (LREN3 -2,03%) e das Lojas Americanas (LAME4 -2,01%), com varejistas devolvendo ganhos de ontem.

O sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, lembra que investidores também vão “começar a ficar de olho principalmente na temporada de balanços”, que já começou nos Estados Unidos e vai começar no Brasil e deve refletir nos papéis. “A temporada vai começar e ainda podemos ter bastante volatilidade no último trimestre”, acredita.

Já no cenário externo, Miziara destaca que as chances de se chegar a um acordo sobre o pacote de ajuda fiscal nos Estados Unidos antes das eleições presidenciais se mostram cada vez mais distantes, embora as conversas continuem. Com isso, as Bolsas norte-americanas fecharam em leve queda, depois de terem aberto em alta.

Amanhã, investidores devem ficar atentos a uma agenda de indicadores mais cheia, que começa com dados de inflação na China e contará com pedidos de seguro-desemprego e índices de atividade industrial nos Estados Unidos. Já no Brasil, o destaque é o IBC-Br de agosto.

O dólar comercial fechou em alta de 0,39% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6030 para venda, em dia de forte volatilidade, com investidores reagindo à percepção de que o novo pacote de estímulo fiscal norte-americano não será aprovado antes das eleições presidenciais, em 3 de novembro, já que o Congresso dos Estados Unidos encontra dificuldades em negociar o montante do pacote.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que a moeda norte-americana operou em dois momentos ao longo da sessão. Enquanto na primeira parte dos negócios, a divisa operou com sinal negativo seguindo a desvalorização no exterior, à tarde, o dólar renovou máximas sucessivas com a volta do sentimento de aversão ao risco.

“Em meio ao cenário de aumento de casos de covid-19 na Europa e reagindo aos desdobramentos do pacote de estímulos fiscais que está travado no Congresso. Sentimento que acabou penalizando o mercado de ações e fortaleceu o dólar que a chegou a operar acima de R$ 5,60”, comenta.

No início da tarde, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, disse que uma nova rodada de estímulos tem poucas chances de acontecer antes das eleições. “O mercado reagiu à essa declaração de que os democratas e republicanos ainda estão muito longe de aprovar um novo pacote, o que induziu uma maior aversão ao risco”, acrescenta o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz.

Amanhã, na agenda de indicadores, tem dados preliminares da atividade industrial nos Estados Unidos em outubro, e o resultado de setembro do índice de preços ao consumidor e ao produtor da China, que poderá fazer preço na abertura dos negócios. Aqui, tem os números de agosto do IBC-Br, uma prévia do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“Acho que o dólar pode ter um viés baixista diante uma agenda menos forte e sem notícias negativas em relação ao cenário fiscal local. Já o IBC-Br, que deverá vir com sinal positivo, pode trazer uma perspectiva para o mercado e alívio ao dólar”, ressalta o profissional da Guide.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão com leves baixas, mantendo a trajetória desde o início do pregão, com os investidores aproveitando a ausência de novidades na cena política sobre a questão fiscal para ampliar o movimento de retirada de prêmios ainda na esteira das medidas anunciadas pelo Banco Central e o Tesouro Nacional ao final da semana passada. Ainda assim, o movimento hoje foi bem mais moderado. Já os dados do setor de serviços tiveram pouco impacto na curva a termo.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,19%, de 3,23% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,55%, de 4,60% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,42%, de 6,43%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,36%, de 7,38%, na mesma comparação.

As declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, indicando que uma nova rodada de estímulos deve ficar para depois das eleições de 3 de novembro se somaram aos temores da segunda onda de casos de covid-19 e pesaram sobre os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos, que encerraram o dia em queda.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,58%, 28.514,00 pontos

Nasdaq Composto: -0,80%, 11.768,72 pontos

S&P 500: -0,66%, 3.488,67 pontos