Várias pessoas são presas na Turquia por ligação com fuga de ex-chefe da Renault

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O ex-chefe da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn / Foto: Flickr/Norsk Elbilforening

Por Carolina Gama

São Paulo – Várias pessoas foram detidas na Turquia por sua suposta conexão com a fuga do ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, do Japão antes de seu julgamento por acusações de má conduta financeira, segundo a emissora turca da NTV, citando uma fonte no Ministério do Interior do país. As informações são da agência de notícias “Sputnik”.

No início desta semana, o jornal libanês Al Akhbar, referindo-se à sua fonte, disse que Ghosn chegou a Beirute em um avião particular de Istambul e cruzou a fronteira com um de seus passaportes, supostamente francês, enquanto toda a operação de fuga foi realizada com a participação de uma empresa de segurança privada.

Segundo a NTV, o Ministério do Interior turco iniciou uma investigação sobre a chegada de Ghosn a Istambul, onde ele passou uma hora e meia antes de voar para o Líbano. A emissora acrescentou que sete pessoas foram detidas, incluindo quatro pilotos.

Na véspera de ano novo, Ghosn fugiu para o Líbano, violando suas condições de fiança. A mídia informou que o ex-presidente da Renault-Nissan havia sido transportado para o aeroporto dentro de uma caixa de instrumentos musicais.

No final de dezembro de 2018, a promotoria japonesa prendeu o francês de 65 anos de origem libanesa por cobrir suas perdas de investimentos privados na moeda da empresa. De acordo com a taxa de câmbio da época, as perdas totalizaram cerca de US$ 21 milhões.
Em janeiro de 2019, Ghosn foi formalmente acusado de fraude financeira e abuso de poder. O ex-chefe da Renault-Nissan tinha direito à proteção consular francesa desde que ele foi preso no Japão há mais de um ano e foi acompanhado pela embaixada em Tóquio.

Ghosn negou as alegações do Japão de subnotificar suas receitas com a ajuda de outro ex-executivo da Renault-Nissan, Greg Kelly. Ele confirmou que estava no Líbano depois de fugir da “perseguição política”. Kelly, norte-americano, ainda aguarda julgamento no Japão.