Usiminas prevê maiores preços e demanda com corte de produção na China

São Paulo – A Usiminas espera regularizar o aumento nos estoques de aço no quarto trimestre, estabilidade nos custos de produção e prevê um forte aumento de demanda represada do setor automotivo para o ano que vem. A companhia também espera ter bons resultados com o aumento da demanda gerada pelo ajuste de produção na China, que também deve impactar positivamente os preços.

“O setor automobilístico vem sendo afetado por problemas no fornecimento de componentes e estimativas apontam para normalização somente no segundo semestre de 2022. A Anfavea fala em 2,1-2,3 milhões de autos produzidos, aquém do esperado. O nível de estoque de auto está abaixo e isso gera oportunidades futuras. Estamos preparados para atender esse acúmulo de pedidos que devem ocorrer nas montadoras”, comentou Miguel Angel Homes Camejo, diretor vice-presidente comercial da Usiminas, em teleconferência com analistas para comentar os resultados do terceiro trimestre, apresentados na manhã de hoje (29).

Os executivos apontam que há um gap de preços cobrados atualmente no mercado de aço, que deve ser reajustado no início do ano. “Os estoques estão normalizados na cadeia de fornecedores do aço e prevemos uma sazonalidade atípica. Os setores de maquinários e equipamentos, construção por exemplo, estão em atividade forte. Já os de linha branca estão sendo impactados pela inflação”, disse Alberto Ono, diretor vice-presidente de finanças e de RI da Usiminas.

A redução de produção na China traz oportunidades em substituição de importações de aços planos, que a companhia poderá alocar de suas unidades de Cubatão e Ipatinga. “No lado da oferta, a redução contínua de produção da China deve manter o nível de preço alto. O crescimento de 4,5% do consumo aparente global, segundo o WorldSteel, deve puxar a demanda por aço. Com a demanda e oferta forte, deve manter os preços altos”, acrescentou Camejo.

As exportações também devem crescer, segundo o executivo. “Nosso guidance para o quarto trimestre foi divulgado, não abrimos para o período mais à frente, mas ante uma sazonalidade no mercado interno, é normal esperar maior participação das exportações futuramente. Estamos captando oportunidades importantes. A China está abrindo oportunidades por seu ajuste de produção, tanto na Europa e Argentina, onde já participamos, e outros países como Chile e Bolívia, devido a restrição da produção chinesa”, disse Camejo.

Em relação aos custos de produção, a administração da empresa disse que não divulga guidance, mas que eles vêm apresentando uma redução na variação do segundo para o terceiro trimestre e, para o quarto, a tendência é de estabilidade. “Houve alta expressiva do carvão e do coque na China. Em geral, entre produtos e estoque no porto, há um intervalo de três a quatro meses. Deve haver um impacto mais no primeiro trimestre. No quarto, ainda estamos trabalhando com um valor de custo com preços mais defasados. Há um viés de melhora no minério de ferro, mas o impacto do carvão e do coque, mas há tendência de estabilização no custo de produção no quarto trimestre.”

“O preço médio de setembro fechou a nível similar então não vamos levar a um carregamento de preços para o quarto trimestre.” Em relação à paridade com o preço nacional, a companhia trabalha com o objetivo de ficar entre 10% e 15%, mas está abaixo no momento. “É preciso fazer uma correção para atingir a paridade ao mercado interno. Por setores, em distribuição houve desconto de 7%, que acompanhou o mercado. Prevemos estabilidade para o quarto trimestre, diante da sazonalidade típica que vamos enfrentar no período”, disse o diretor financeiro.

A companhia também prevê queda no preço do frete. “O preço do frete estava em US$45 e caiu para US$ 28, e esses valores mudam diariamente, influenciado por fatores diversos, como acúmulo de navios na China e o mercado vai se ajustando. O preço tende a continuar a cair nos próximos meses”, disse um executivo.

ESG

Ao ser questionada sobre ações com foco em descarbonização, Sergio Leite disse que a companhia trabalha com um planejamento de longo prazo até 2030. “O impacto tecnológico na produção de aço nesta década levará ao desenvolvimento de novos processos, a partir de 2030, nessa década ainda não”, avalia o executivo.

A empresa concluiu o inventário de emissões e disse que está à frente de suas concorrentes e disse que a siderurgia brasileira está à frente de outros países. “Estamos trabalhando em termos de eficiência energética e redução de emissão de gases de efeito estufa, mas as maiores alterações devem ocorrer a partir de 2030”, finalizou.

A companhia disse que está avançando nas sete metas apresentadas no começo do ano ao mercado e na busca da neutralidade em carbono e, em novembro, devem entregar o projeto para deixar de utilizar a última barragem de downstream.

No segundo trimestre, a companhia realizou a migração da disposição de rejeito pelo método tradicional para filtragem e deve concluir a descaracterização da barragem central no primeiro trimestre de 2022, após certificação pelos órgãos competentes.

RESULTADOS DO TERCEIRO TRIMESTRE

Em relação aos resultados do terceiro trimestre, o presidente da companhia destacou o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), devido ao resultado de melhores preços na mineração e de um efeito não recorrente de provisão judicial, e a posição de dívida líquida negativa do caixa da companhia, que encerrou o mês de setembro negativo em R$ 1,2 bilhão e alavancagem negativa de 0,1 vez, embora a dívida em dólar tenha sido afetada pela variação cambial. “O resultado do terceiro trimestre consolida o resultado do primeiro semestre e caminha para ser o melhor ano de resultados da Usiminas. É o melhor resultado trimestral da história”, disse Sergio Leite, presidente da Usiminas.

A Usiminas apresentou lucro líquido de R$ 1,824 bilhão no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, alta de 821%. No período, a receita líquida somou R$ 9,026 bilhões, alta de 106% na comparação anual. O ebitda ajustado, por sua vez, subiu 249% no trimestre, para R$ 2,886 bilhões, na mesma base de comparação.

Em termos operacionais, a venda de aço subiu 27%, para 1,189 milhão de toneladas, na comparação anual, enquanto a venda de minério de ferro aumentou 5%, a 2,417 milhões de toneladas.

Ao final do trimestre, o endividamento líquido da Usiminas era de R$ 1,211 bilhões. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida por ebitda, encerrou o período em 0,10 vez.

PROJEÇÃO

A Usiminas projeta alcançar um volume de vendas de aço entre 1,1 a 1,2 milhões de toneladas no quarto trimestre deste ano, segundo projeção divulgada pela empresa hoje.

O número pode superar o dado alcançado no último trimestre, que foi de 1,189 milhões de toneladas, segundo o balanço divulgado hoje pela empresa.