UE melhora projeções econômicas com vacinação e estímulos fiscais

O chefe de Assuntos Econômicos e Financeiros da Comissão Europeia, Paolo Gentiloni / Foto: União Europeia

São Paulo – A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), revisou para cima a projeção de crescimento da economia da zona do euro para este ano e o próximo, citando avanços nas campanhas de vacinação contra covid-19 e o apoio de medidas fiscais.

Para 2021, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiu para 4,3%, de 3,8% previstos no relatório anterior, de fevereiro. Para 2022, a previsão subiu de 3,8% para 4,4%. No ano passado, houve queda de 6,6%, devido aos impactos da pandemia.

Com relação à União Europeia como um todo, a previsão de alta do PIB subiu de 3,7% para 4,2% em 2021, e de 3,9% para 4,4% em 2022, depois da queda de 6,1% no ano passado.

“O ritmo mais acelerado de vacinação nos últimos meses deve permitir que as restrições sejam amenizadas ainda mais no segundo semestre – na verdade, isso já está em andamento – e, assim, permitir que a economia se recupere”, disse o chefe de Economia da UE, Paolo Gentiloni.

Além disso, “as medidas fiscais protegeram a economia e abriram caminho para a recuperação”, com despesas significativas da UE financiadas por subvenções do Mecanismo de Recuperação e Resiliência.

Segundo Gentiloni, o consumo privado será o principal motor de crescimento, uma vez que os gastos das famílias se beneficiam da dissipação da incerteza e algumas famílias começam a gastar mais e poupar menos quando as restrições forem atenuadas.

“Espera-se que uma perspectiva melhorada em casa e no exterior impulsione o investimento”, disse ele, citando avanços consideráveis na perspectiva global, à medida que restrições foram afrouxadas e o apoio de uma política agressiva foi implementado, especialmente nas economias avançadas.

Um crescimento mais robusto dos Estados Unidos deve gerar repercussões positivas para a economia global, disse, enquanto na China, o crescimento deve continuar em ritmo acelerado, auxiliado pelo controle precoce da pandemia e pela demanda externa dinâmica. “Sabemos que existem exceções. Por exemplo, todos olhamos para a Índia preocupados com a situação”.

Com relação à inflação na zona do euro, a previsão é de alta de 1,7% este ano e de 1,3% em 2022, depois da alta de 0,3% em 2020. “A inflação deve atingir o pico este ano sob o impacto de alguns fatores transitórios, como o forte aumento dos preços do petróleo. No entanto, deve moderar-se novamente em 2022”.

O desemprego, por sua vez, deve desacelerar no próximo ano na zona do euro, ao mesmo tempo que o risco de cicatrizes, com agravamento da pobreza, exclusão social e desigualdade, é muito real. A UE prevê taxa de desemprego em 8,4% este ano e em 7,8% no ano que vem. Em 2020, a taxa estava em 7,8%.