Trump ameaça cortar permanentemente verba dos EUA à OMS

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Bandeira com o símbolo da Organização Mundial da Saúde (OMS). (Foto: Missão dos EUA/Eric Bridiers)

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retirar permanentemente o financiamento do país à Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma carta com a data de ontem destinada ao diretor da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Trump disse que se a OMS “não se comprometer com grandes melhorias substanciais nos próximos 30 dias, tornarei permanente meu congelamento temporário do financiamento dos Estados Unidos à Organização Mundial da Saúde e reconsiderarei nossa participação na organização”.

Segundo ele, está claro que os “repetidos erros” cometidos por Ghebreyesus e pela OMS em responder à pandemia foram extremamente custosos para o mundo, e a revisão realizada por seu governo “confirmou muitas das sérias preocupações que levantei no mês passado”.

“O único caminho para frente para a organização é se puder realmente demonstrar independência da China”, disse, acrescentando que seu governo já começou discussões com a OMS sobre reformas. “Mas ação é necessária rapidamente. Não temos tempo a perder”.

Em 14 de abril, Trump congelou o financiamento de entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões anuais dos Estados Unidos para a OMS, acusando a organização de se posicionar ao lado da China ao não tomar medidas mais duras quando os primeiros casos de covid-19 surgiram. Ao mesmo tempo, seu governo conduzia uma revisão da resposta da agência à pandemia.

Na carta, Trump repetiu acusações que já havia feito à OMS, de que a agência ignorou relatos de que o vírus estava se espalhando na cidade chinesa de Wuhan, não repassou todas as informações que tinha e demorou para recomendar restrições de viagens à China, elogiando a transparência do país asiático quando na verdade os chineses foram “tudo menos transparentes”.

“Não posso permitir que dólares de pagadores de impostos norte-americanos continuem a financiar uma organização que, no estado atual, está tão claramente não servindo aos interesses dos Estados Unidos”, concluiu.