Taxa de desemprego sobe a 14,7% no 1T21, a maior da série histórica

Carteira de trabalho. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

São Paulo – A taxa de desocupação da população brasileira foi estimada em 14,7% no primeiro trimestre do ano, acima do observado no período anterior (13,9%), referente aos meses de outubro a dezembro do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou em linha com o esperado, de acordo com a mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA, de 14,7%.

O resultado é o maior para o trimestre e também da série histórica, iniciada em 2012. Já na comparação com o mesmo período anterior, referente aos meses de janeiro a março do ano passado, quando estava em 12,2%, houve alta de 2,5 pontos percentuais (pp), segundo o IBGE.

No fim de março, a população desocupada somava 14,8 milhões de pessoas, recorde para a série histórica, crescimento de 6,3% (880 mil pessoas a mais) em relação ao trimestre anterior (quando somou 13,9 milhões de pessoas), e avançou 15,2% (1,9 milhão de pessoas a mais) no confronto com igual trimestre de 2020.

A população ocupada totalizou 85,7 milhões, estável em relação aos meses de outubro a dezembro de 2020, porém, caiu 7,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior (6,6 milhões de pessoas a menos). Entre janeiro e março, o nível de ocupação chegou a 48,4% (quedas de 0,5 pp ante outubro a dezembro e de 5,1 pp na comparação com o mesmo trimestre de 2020).

A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, explica que esse aumento da população desocupada é um efeito sazonal esperado. “As taxas de desocupação costumam aumentar no início de cada ano, tendo em vista o processo de dispensa de pessoas que foram contratadas no fim do ano anterior. Com a dispensa nos primeiros meses do ano, elas tendem a voltar a pressionar o mercado de trabalho”, avalia.

Já a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 29,7%, altas de 0,9 pp em relação ao quarto trimestre do ano passado e de 5,7 pp na comparação com igual período de 2020. Segundo o IBGE, a população subutilizada somou 33,2 milhões no fim de março, o maior contingente da série histórica. Com aumentos de 3,7% ante o trimestre anterior (mais 1,2 milhão de pessoas) e de 20,2% (mais 5,6 milhões de pessoas) ante janeiro a março do ano passado.

Assim, a população fora da força de trabalho alcançou 76,5 milhões de pessoas, estável no confronto trimestral, mas cresceu 13,7% (mais 9,2 milhões de pessoas) no confronto anual. Já a população desalentada chegou a 6,0 milhões de pessoas, recorde na série histórica iniciada em 2012, estável no confronto trimestral, mas disparou 25,1% na comparação anual. Por sua vez, a taxa de informalidade foi de 39,6% da população ocupada (mais 34,0 milhões de pessoas).

Em relação à renda, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.544 nos três primeiros meses do ano, estável nas duas bases de comparação. Já a massa de rendimento médio real habitual dos ocupados no trimestre encerrado em março foi estimada em R$ 212,5 bilhões, estável em relação ao período anterior, mas recuou 6,7% frente ao mesmo período do ano passado.

O IBGE reforça que houve estabilidade da população ocupada nos dez grupamentos de atividade no primeiro trimestre de 2021 ante o período anterior. No confronto anual, porém, o número de pessoas ocupadas em Serviços domésticos teve tombo de 17,3%, enquanto na Indústria Geral o recuo foi de 7,7%, na Construção houve retração de 5,7%; Alojamento e alimentação despencou 26,1% e no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, a queda foi de 11,1%, sendo o setor que mais perdeu profissionais (1,6 milhão de pessoas).

Beringuy, analista da pesquisa, acrescenta que a redução na maioria dos grupos de atividades reflete o cenário da pandemia. “De modo geral, a maior parte das atividades econômicas tem menos ocupados do que há um ano”, finaliza.