Taxa de desemprego sobe a 12,9% no trimestre até maio

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Carteira de trabalho. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

São Paulo – A taxa de desocupação da população brasileira foi estimada em 12,9% no trimestre móvel encerrado em maio, ficando acima do trimestre anterior (11,6%), referente aos meses de dezembro a fevereiro, com alta de 1,2 ponto percentual (pp), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa para o período desde 2017.

O resultado ficou abaixo das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA, de 13,1%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, de março a maio de 2019, quando estava em 12,3%, a taxa teve ligeira alta de 0,6 pp, segundo o IBGE.

Ao fim de maio, a população desocupada somava 12,7 milhões de pessoas, altas de 3,0% (ou 368 mil pessoas a mais) em relação ao trimestre anterior de dezembro de 2019 a fevereiro deste ano – porém, ficou estável no confronto com igual trimestre do ano anterior.

A população ocupada, por sua vez, somou 85,9 milhões, redução de 8,3% (ou 7,8 milhões pessoas a menos) em relação ao trimestre móvel anterior e de 7,5% (ou 7,0 milhões de pessoas a menos) frente a igual período do ano passado, no qual ambas quedas foram recordes na série histórica.

A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, destaca que a queda é inédita e atinge principalmente, os trabalhadores informais, no qual no total de 7,8 milhões de pessoas a menos ocupadas no mês, 5,8 milhões eram informais.

O nível da ocupação, ou seja, percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, caiu para 49,5%, o menor da série histórica, com retração de 5,0 pp ante o trimestre anterior (54,5%) e de 5,0 pp frente a igual período de 2019. A taxa de informalidade, por sua vez, alcançou 37,6% da população ocupada, ou seja, 32,3 milhões de trabalhadores informais, o menor da série iniciada em 2016. No trimestre móvel anterior, esse número chegou a 41,0%.

Beringuy acrescenta que, pela primeira vez na série histórica da pesquisa, o nível da ocupação ficou abaixo de 50%. “Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar está trabalhando. Isso nunca havia ocorrido na Pnad Contínua”, explica.

Segundo o IBGE, a população fora da força de trabalho somou 75,0 milhões, com altas de 13,7% (mais 9,0 milhões de pessoas) frente ao período entre dezembro e fevereiro, e de 15,9% (mais 10,3 milhões de pessoas) na comparação com o período entre março e maio de 2019. A população desalentada chegou a 5,4 milhões, recorde da série histórica, com crescimento de 15,3% em relação ao trimestre anterior, e de 10,3% ante o mesmo período do ano passado.

A taxa de subutilização da força de trabalho, de 27,5%, foi recorde da série, com altas de 4,0 pp frente ao trimestre encerrado em fevereiro, e de 2,5 pp ante o mesmo período de 2019. De acordo com o Instituto, a população subutilizada somou 30,4 milhões, recorde com aumentos de 13,4% (mais 3,6 milhões de pessoas) em relação ao período imediatamente anterior, e de 6,5% (mais 1,8 milhão de pessoas) na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (exceto trabalhadores domésticos) foi de 31,1 milhões de pessoas, menor nível da série histórica, com quedas de 7,5% (menos 2,5 milhões de pessoas) ante o trimestre anterior, e de 6,4% (menos 2,1 milhões de pessoas) ante os meses de março e maio de 2019.

Já o número de trabalhadores sem carteira assinada ficou em 9,2 milhões de pessoas, retração de 20,8% (menos 2,4 milhões de pessoas) frente aos meses de dezembro e fevereiro, enquanto recuou 19,0% (menos 2,2 milhões de pessoas) ante o mesmo trimestre de 2019. O total de trabalhadores por conta própria caiu para 22,4 milhões, recuos de 8,4% frente ao período anterior e de 6,7% em relação a março a maio do ano passado.

“Numericamente, nós temos uma queda da informalidade, mas isso não necessariamente é um bom sinal. Significa que essas pessoas estão perdendo ocupação e não estão se inserindo em outro emprego. Estão ficando fora da força de trabalho”, observa a analista da pesquisa.

Em relação à renda, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.460 no trimestre móvel, altas de 3,6% ante o trimestre encerrado em fevereiro e de 4,9% na comparação com o mesmo trimestre de 2019.

Já a massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em R$ 206,6 bilhões, quedas de 5,0% na comparação com o trimestre anterior e de 2,8% em comparação com o mesmo trimestre de 2019.