Sistema unificado de garantia de depósitos gera divergências na zona do euro

Mário Centeno, presidente do Eurogrupo. Foto: Divulgação/ União Europeia

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A proposta do ministro de Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, de tirar do papel um sistema europeu de garantia de depósitos gerou divergências no Eurogrupo (que reúne os ministros de Finanças da zona do euro).

“Ainda é uma discussão difícil e precisaremos avançar passo a passo,
mas isso não é diferente do que fazemos na Europa em outros casos” disse o presidente do Eurogrupo, Mario Centeno, ontem à noite, após a reunião realizada em Bruxelas.

“Sinto um novo clima na sala e espero que no próximo mês consigamos chegar a um acordo sobre um roteiro para iniciar negociações políticas”, disse ele, acrescentando que o projeto alemão sobre a união bancária é bem-vinda e “sinaliza um claro compromisso de se envolver com parceiros europeus”.

A proposta de um sistema de garantia de depósitos unificado foi apresentada pela primeira vez em 2015, visando a proporcionar um grau de proteção mais forte e mais uniforme na zona do euro. A Alemanha se opôs, mas esta semana o ministro Scholz disse que a apoiaria, com algumas condições.

“Quem quiser uma união bancária também deve aceitar que deve haver as mesmas regras para todos e que os títulos do governo nos balanços bancários são ajustados ao risco”, disse ele, ao chegar ontem ao Eurogrupo. Ele reiterou que o governo alemão ainda adotará sua posição oficial.

O ministro de Finanças da Itália, Roberto Gualtieri, disse que mudar o tratamento da dívida, para que a dívida soberana deixe de ser livre de risco, teria um impacto negativo. “Isso criaria um campo de jogo desnivelado em nível global. Portanto, não achamos que essa seja uma condição apropriada para a conclusão da união bancária. Deveria ser analisado mais no contexto de um ativo seguro europeu”.

O chefe da União Europeia (UE) para a Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, disse que a proposta alemã traz de volta um dos pilares da união bancária. “É claro que sei que haverá opiniões divergentes e que teremos que encontrar um bom equilíbrio entre redução e compartilhamento de riscos. Isso caberá à próxima Comissão”, concluiu ele.

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