Selic pode cair mais que 0,25 pp em agosto, segundo BNP Paribas Asset

215
Edifício-sede do Banco Central em Brasília. (Foto: Divulgação/BC)

São Paulo – Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha sinalizado que um eventual novo corte na taxa básica de juros (Selic) será “residual”, a taxa pode cair em mais de 0,25 ponto porcentual (pp) na próxima reunião do grupo, em agosto, afirmou Tatiana Pinheiro, economista-chefe da BNP Paribas Asset.

Segundo ela, um dos motivos que devem levar a uma redução mais intensa da Selic é a distância entre as projeções e as metas de inflação em agosto.

Ontem, em comunicado, o Copom afirmou que, nas projeções atuais, a inflação deve terminar este ano abaixo do piso de 2,50% e 2021 em nível inferior ao do centro da meta, de 3,75%.

Até a decisão de ontem, a BNP Paribas Asset esperava uma queda adicional de 0,75 pp na Selic, o que colocaria a taxa em 1,50%, mas pode a depender do que for divulgado na ata da última reunião, prevista para a próxima terça-feira (23), e no relatório de inflação, esperado para quinta-feira (25).

“O que entendi do comunicado é que intenção [do Copom] seria diminuir o ritmo de corte”, e por isso a diminuição da Selic em agosto poderia ser de 0,50 pp, disse Pinheiro.

Ela acrescentou que em 2021 a previsão é de aumento dos juros, com a Selic encerrando o período em 4,0%, e que esta estimativa embute tanto a perspectiva de que será encontrada uma solução para a pandemia da covid-19 quanto a leitura de que haverá retomada do processo de normalização da política monetária – interrompido pelo surto da doença.

“A intenção inicial no pré-covid era encerrar ciclo de afrouxamento monetário. A extensão do ciclo é por conta do efeito da covid, do impacto dessa crise sanitária com efeito deflacionário na economia. Mas o fato é que 2%, 1,75%, 1,50% é uma taxa de juros abaixo da neutra para o Brasil”, disse a economista.

Ela apontou que os juros futuros estão abaixo da inflação esperada 12 meses à frente, o que configura um quadro de juros reais negativos como parte do estímulo monetário proporcionado pelo Banco Central.

“A partir do momento em que a covid passou, não é mais o cenário. Faz sentido o BC iniciar processo para trazer a taxa nominal para perto da neutra e a taxa real para o campo positivo”, disse Pinheiro, acrescentando que uma Selic perto de 4% no final do ano que vem ainda estaria abaixo da taxa neutra de juros no Brasil.