Segunda onda de covid-19 aumenta incerteza e afeta recuperação europeia

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O presidente do Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças da eurozona), Paschal Donohoe / Foto: União Europeia

São Paulo – A aceleração da propagação da covid-19 na Europa e as novas medidas de bloqueio reintroduzidas em vários países da região aumentaram ainda mais a incerteza e provavelmente afetarão a recuperação econômica da eurozona, segundo o Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças da eurozona).

Diante desse cenário, o Eurogrupo reafirmou o compromisso de coordenar e implementar, em todos os níveis, políticas econômicas que complementem a resposta à saúde, protejam empregos e promovam a recuperação econômica.

“Fizemos um balanço das medidas adotadas até agora e concordamos que a Europa reagiu com vigor à pandemia. As respostas coordenadas têm amortecido o impacto econômico das medidas de contenção sobre os cidadãos e as empresas”, diz o Eurogrupo em nota após videoconferência.

Apesar da incerteza com a segunda onda de covid-19, os ministros europeus disseram que a região está agora mais bem preparada para resistir à crise econômica. Em abril, o Eurogrupo e membros não pertencentes à eurozona chegaram a um acordo sobre três redes de segurança a serem implementadas pela Comissão Europeia, o Banco Europeu de Investimento e o Mecanismo Europeu de Estabilidade, no valor total de 540 bilhões de euros.

“Estas medidas estão agora em vigor, reforçando as respostas dos membros à crise, fornecendo o apoio tão necessário aos cidadãos e empresas para ajudarem a enfrentar a crise e fornecendo uma linha adicional de defesa para os soberanos”, afirma a nota.

O Eurogrupo cita ainda medidas fiscais implementadas em nível nacional que superaram 4% do Produto Interno Bruto (PIB), além de iniciativas de apoio à liquidez e ao funcionamento de estabilizadores automáticos.

“Estes apoios fiscais foram possibilitados pelo afastamento temporariamente permitido dos requisitos fiscais que normalmente seriam aplicáveis ​​e do enquadramento temporário dos auxílios estatais. O Eurogrupo considera vital que o apoio fiscal em cada membro continue até 2021, dado o risco acrescido de uma recuperação tardia, e se adapta à situação à medida que evolui”, diz a nota.

Além disso, o Conselho Europeu aprovou em julho o plano da próxima geração da UE para apoiar as regiões e setores mais afetados pela crise covid-19 com um fundo de 750 bilhões de euros. “Isto está no cerne da estratégia de recuperação da UE e representa uma oportunidade única para as reformas e os investimentos necessários ao nível dos seus membros, incluindo aqueles que apoiam as transições ecológicas e digitais”, afirma a nota.