Rumores sobre impostos faz Bolsa perder força e dólar fechar estável

São Paulo – O Ibovespa encerrou a sessão com alta de 0,27%, aos 110.334,83 pontos, em dia que chegou a subir mais de 2,0% acompanhando o mercado externo após a aprovação pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos de um pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão. O balde de água fria veio com a notícia do “O Globo” de que o governo de Jair Bolsonaro pretende elevar impostos sobre bancos para conseguir isentar tributos no montante de R$ 3,6 bilhões para o diesel.

Essa notícia pegou em cheio as ações dos bancos no Brasil, que encerraram em forte queda. Como o peso dos bancos é muito grande sobre o Ibovespa, o índice não segurou a alta firma que vinha mantendo. As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) encerraram com retração de 3,30%, enquanto o papel ordinário do banco (BBDC3), recuou 3,25%. O papel preferencial do Itaú Unibanco (ITUB4), cedeu 2,97%.

“O Ibovespa reduziu a alta sob o peso dos bancos, que passaram a cair após a notícia de que o governo vai elevar impostos sobre as instituições financeiras para zerar o PIS/Cofins [Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social] sobre o diesel”, explicou Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

Sobre o bom humor externo, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na madrugada de sábado o pacote de alívio de covid-19 de US$ 1,9 trilhão, enviando a legislação ao Senado, enquanto os democratas enfrentam brechas intrapartidárias sobre o futuro de um aumento salarial dos trabalhadores.

O dólar comercial fechou com ligeira queda de 0,03% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6000 para venda, em sessão de intensa oscilação com investidores locais calibrando o bom humor externo que prevaleceu ao longo da sessão e favoreceu as moedas de países emergentes. A busca por risco se deu em meio à recuperação dos ativos globais e com o otimismo após a aprovação do pacote de ajuda fiscal à economia norte-americana na Câmara dos Deputados no fim de semana.

“A moeda operou a maior parte da sessão em queda, acompanhando o exterior, onde o dólar trabalhou fragilizado tendo como pano de fundo o avanço do pacote trilionário norte-americano e da liberação de uma nova vacina contra a covid-19”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Aqui, a moeda oscilou forte “mostrando uma resistência” de queda no fim dos negócios, diz o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, calibrando o exterior e uma percepção maior de risco interna após a Petrobras anunciar um novo aumento dos combustíveis amanhã. “Mas não foi erro da estatal, é a política de preços deles. Mas sim do presidente Jair Bolsonaro porque induz que ele tenha feito um novo movimento errado. E segue esse embate entre Bolsonaro e a política de preços da companhia”, avalia.

A equipe econômica do banco Fator ressalta que, enquanto o bom humor prevaleceu nos Estados Unidos, “aqui, nem tanto” em meio às preocupações do mercado local com as PECs e o tamanho da despesa com o auxílio emergencial. “A forma jurídica da solução é o menos relevante. Provavelmente, haverá uma forma que dê uma saída honrosa para o ‘teto de gastos’. A dúvida relevante é sobre o tamanho do pagamento do auxílio e a data de início da medida”, avalia.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, declarou hoje que a decisão prévia é de que o valor seja de R$ 250 ao longo de quatro meses, em pagamentos a serem feitos em março, abril, maio e junho.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais esvaziada, o mercado deverá ficar atento ao exterior em relação à aprovação do pacote trilionário no Senado norte-americano, enquanto aqui, as atenções seguem em Brasília e na votação da PEC Emergencial.

Para o analista político da XP Investimentos, Paulo Gama, o governo tem a “dura missão” de vencer resistências sem permitir o fatiamento ou grande desidratação do texto para aprová-lo em dois turnos no Senado até quarta-feira. Ontem à noite, Bolsonaro esteve com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Pacheco, para discutir sobre a votação. Lira e Pacheco teriam prometido ao presidente não fatiar a proposta.

“O grande esforço do governo é evitar que a permissão para o pagamento do auxílio emergencial seja desvinculada das medidas de contrapartida. O aumento das restrições de mobilidade em razão do crescimento da pandemia tem dado vazão à tese de que a nova rodada de auxílio deve ser aprovada o quanto antes, independentemente dos contrapontos fiscais”, finaliza Gama.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em alta em um dia no qual os investidores monitoram as pressões fiscais e inflacionárias que devem levar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a elevar a taxa básica de juro (Selic) na reunião de política monetária marcada para o mês que se inicia hoje.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 3,805%, de 3,740% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,720%, de 5,585%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,37%, de 7,23% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,97%, de 7,84%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano iniciaram o mês de março em ritmo forte, após amargarem duras perdas na semana passada, apoiados no avanço do pacote de estímulos no Congresso e também na aprovação de mais uma vacina contra a covid-19, o que alimenta esperanças do controle da pandemia e recuperação mais rápida da economia.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +1,95%, 31.535,51 pontos

Nasdaq Composto: +3,01%, 13.588,80 pontos

S&P 500: +2,37%, 3.901,82 pontos