Draghi diz que riscos permanecem inclinados para o lado negativo

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O presidente do Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Foto: Divulgação/BCE

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – Os riscos à economia da zona do euro permanecem inclinados para o lado negativo e a inflação segue fraca, o que justifica a instância acomodatícia da política monetária, disse o presidente da Banco Central Europeu (BCE), Mario Drgahi, em sua última coletiva de imprensa.

“Os riscos que envolvem as perspectivas de crescimento da zona do euro permanecem negativos. Em particular, esses riscos dizem respeito à presença prolongada de incertezas, relacionadas a fatores geopolíticos, crescente protecionismo e vulnerabilidades em mercados emergentes”, de acordo com Draghi.

Segundo ele, os dados recebidos desde a última reunião do Conselho do BCE, no início de setembro, “confirmam uma fraqueza prolongada na dinâmica de crescimento da zona do euro, a persistência de riscos negativos e as pressões inflacionárias fracas”.

“Infelizmente, tudo o que aconteceu desde a reunião de setembro mostrou que a determinação do BCE em agir foi justificada”, disse ele, acrescentando que os dados econômicos “justificam a estância frouxa da política monetária”.

Ainda assim, “o Conselho do BCE continua preparado para ajustar todos os seus instrumentos, conforme apropriado, para garantir que a inflação avance em direção a sua meta de maneira sustentada, em consonância com seu compromisso com a simetria”.

Com relação ao Brexit, ele disse que houve melhorias. “A chance de um Brexit à beira do abismo foi reduzida”, disse. “De alguma forma, a menor chance de um Brexit sem acordo melhorou a situação geral. Por outro lado, a incerteza permanece”.

Sobre inflação, a taxa deve cair um pouco mais antes de subir no final do ano, com base nos preços futuros do petróleo. As medidas do núcleo de inflação seguem fracas e as expectativas de inflação permanecem baixas. “No médio prazo, espera-se que a inflação aumente, apoiada em nossas medidas de política monetária, na contínua expansão econômica e no crescimento robusto dos salários”, disse Draghi.

Assim, a análise econômica e monetária confirma que “ainda é necessário um amplo grau de acomodação monetária para a contínua convergência sustentada da inflação para níveis abaixo, mas próximos, de 2% no médio prazo”.

Por fim, ele repetiu que outras políticas devem contribuir mais para
aumentar o potencial de crescimento a longo prazo. “Governos com espaço fiscal devem agir de maneira eficaz e oportuna”, disse, acrescentado que “nunca me atreveria a comentar a política fiscal de um país”. Para ele, “a política fiscal deve ser ativa para as taxas de juros aumentarem”.

JUROS NEGATIVOS

Draghi disse ainda que o uso de taxas de juros abaixo de zero tem sido positivo para a zona do euro, e os benefícios foram maiores do que os impactos negativos.

“As avaliações das taxas negativas em geral são positivas. Elas têm estimulado a economia, afetado o emprego positivamente”, disse Draghi, em sua última entrevista coletiva à frente do BCE. “Estamos na direção onde queríamos estar”.

Segundo ele, porém, “o BCE está monitorando os efeitos colaterais de
juros negativos”. Sobre os impactos negativos na lucratividade dos bancos, ele disse que cada banco reage de uma forma, citando que houve “melhoria na qualidade do crédito”, o que afeta positivamente o lucro do sistema bancário.

Para Draghi, as taxas de juros globais vão ficar baixas por um longo período de tempo, e os bancos centrais devem cooperar, aconteça o que acontecer.

O BCE passou a adotar taxa de juros negativas em junho de 2014, quando
definiu a taxa de depósitos em -0,1%. Hoje, a taxa está em -0,5%, seu menor
nível histórico. paós o corte de 0,1 ponto percentual (pp) na reunião anterior, de setembro.