Reunião do BRICS acontece nos dias 13 e 14 no Brasil

Por Gustavo Nicoletta

Líderes do BRICS. Foto: Divulgação

São Paulo – O Brasil receberá nos dias 13 e 14 de novembro os chefes-de-Estado dos demais países do BRICS – Rússia, Índia, China e África do Sul – para a 11a reunião de cúpula do bloco, e a expectativa é de que sejam anunciados avanços na parceria destas nações em temas como inovação, combate à corrupção e saúde.

Nas reuniões preparatórias realizadas ao longo do ano, que antecedem a cúpula do BRICS e na qual são construídos os consensos em torno dos assuntos que interessam ao grupo, ficou definido, por exemplo, que haverá mais cooperação entre as agências de promoção de exportações e de atração de investimentos ao bloco.

Outros setores em que houve um entendimento mais consolidado são os de ciência e de combate à corrupção. Os representantes dos BRICS concordaram fortalecer a troca de experiências nestas áreas e, no caso do combate à corrupção, em compilar a legislação de cada país em torno deste assunto para que possam ser encontradas oportunidades específicas de cooperação.

Um quarto assunto que deve ser mencionado pelas lideranças do grupo é o combate à tuberculose. Metade dos casos da doença em todo o mundo são registrados no bloco – algo relativamente esperado, dado que a população total do grupo representa quase metade do número de pessoas no planeta.

A reunião começará no dia 13 com a presença dos chefes-de-Estado no encerramento do Fórum Empresarial do BRICS, quando deve haver breves pronunciamentos dos líderes de cada país. No dia seguinte estão previstas duas reuniões – uma fechada e outra aberta ao público – e depois destes encontros deve ser publicado um comunicado conjunto.

Os líderes ainda participarão, no dia 14, de um diálogo com lideranças empresariais e a cúpula será encerrada formalmente em um almoço oferecido pelo governo brasileiro.

VENEZUELA, MEIO AMBIENTE E AQUECIMENTO GLOBAL

A reunião de cúpula também deve servir para o debate de assuntos paralelos, como a situação da Venezuela. O Brasil é o único país do BRICS a reconhecer oficialmente Juan Guaidó como presidente venezuelano. Os demais consideram Nicolás Maduro, presidente eleito, como o chefe-de-Estado, ou preferiram permanecer neutros.

Na reunião dos ministros de Relações Exteriores do bloco, ocorrida em julho, não houve qualquer menção à situação na Venezuela, embora o bloco tenha feito comentários específicos sobre conflitos geopolíticos no Oriente Médio e no Norte da África. Para os demais, o comunicado defendia que “fossem resolvidos de acordo com os princípios da lei internacional, do diálogo e por negociações”.

Outro ponto sensível da reunião serão questões relacionadas ao meio ambiente e ao aquecimento global, em particular depois de o Brasil ter ficado em evidência no exterior em agosto por causa das queimadas que atingiram regiões florestais e da rusga pública entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron.

Bolsonaro usou deu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, para reviver o caso e criticar os ataques à política ambiental brasileira.

Na reunião informal que os líderes do BRICS fizeram no Japão, em junho deste ano, às margens da reunião de cúpula do G-20 (grupo que reúne economias mais industrializadas e países emergentes), o bloco defendeu adoção integral do acordo contra o aquecimento global – o Acordo de Paris – e cobrou dos países desenvolvidos que financiassem iniciativas de preservação nas nações em desenvolvimento.

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