Recuperação econômica é atribuída aos EUA e às políticas monetárias, diz FMI

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath. (Foto: Divulgação/FMI)

São Paulo — O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que as revisões para cima do crescimento econômico mundial para 2021 e 2022 são em grande parte atribuídas ao forte avanço dos Estados Unidos e outros países desenvolvidos no combate à pandemia. A organização também alertou para a desigualdade entre nações pouco desenvolvidas e apoiou a taxa mínima global para empresas.

“Em nossa última previsão de crescimento econômico para este ano e o próximo, revisamos para cima nossas projeções. Isso ocorreu, principalmente, porque países desenvolvidos vem conseguindo vacinar em larga escala sua população de forma rápida e efetiva”, afirmou a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath em coletiva de imprensa.

“Damos destaque, principalmente, aos Estados Unidos, que deve liderar a recuperação mundial pós pandemia, e à China”, disse ela.

Segundo as projeções, o Produto Interno Bruto (PIB) global deve crescer 6,0% este ano ante previsão de alta de 5,5% apresentada em janeiro. Para 2022, a estimativa subiu de 4,2% para 4,4%. Em 2020, o PIB mundial encolheu 3,3%.

Gopinath destacou o papel das políticas monetárias acomodatícias na recuperação da atual crise. “Segundo nossos cálculos, o prejuízo poderia ter sido três vezes pior caso os bancos centrais não agissem rapidamente. Por isso, alertamos para a importância de manter essas medidas o tempo que for necessário”, disse ela.

“Um aumento brusco nas taxas de juros básicas dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode ser muito prejudicial ao cenário econômico atual”, alertou Gopinath. Atualmente, a meta de juros do Fed está na sua faixa mais baixa, entre zero e 0,25%.

A economista-chefe do FMI explicou que, devido ao grande espaço monetário de atuação dos países desenvolvidos, estes devem sair da recessão fortalecidos, mas o mesmo não deve ocorrer com países em desenvolvimento.

“Iremos observar brechas maiores entre os padrões de vida dos países nos próximos anos e a desigualdade deve se aprofundar. Países emergentes devem sofrer com pouco espaço para manobras fiscais e muitas das vagas de emprego fechadas não devem jamais retornar”, afirmou Gopinath.

De acordo com a economista, os governos devem “melhorar a capacidade tributária, eliminar gastos desnecessários, ancorar políticas de auxílio e investirem em ampla transparência” para perpetuar a recuperação econômica.

Por fim, Gopinath destacou que o FMI apoia a ideia de uma taxa mínima global para empresas como forma de nivelar a competição entre companhias e garantir tributação aos países.

A ideia vem sendo defendida pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que deseja aumentar a tributação corporativa no país. A proposta preocupou a oposição norte-americana, que acredita que taxas maiores tornariam os produtos do país pouco competitivos fora do país. Uma taxa global anularia esse risco.