RADAR DO DIA: Embate entre Executivo e Judiciário e tensão EUA-China

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São Paulo – O dia hoje promete ser mais agitado e com isso os mercados devem oscilar entre o positivo e o negativo, refletindo o embate entre o Executivo e o Judiciário. No exterior, os investidores olham o acirramento dos ânimos entre Estados e China por Hong Kong e o pacote de estímulos de 750 bilhões de euros da União Europeia.

O desagravo entre os poderes aumentou após a Polícia Federal (PF) deflagrar a operação das fakes news, que teve como alvo bolsonaristas declarados, entre eles Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang e a deputada federal Carla Zambelli.

O desdobramento político após a divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual o ex-ministro Sergio Moro afirma que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na PF gerou certo alívio, uma vez que para analistas do mercado o conteúdo afasta o risco imediato de um impeachment ou abertura de inquérito contra Bolsonaro, embora não elimine os riscos políticos do governo.

Outro tema ainda no radar dos investidores é o depoimento do empresário Paulo Marinho sobre o fato de a PF ter segurado uma operação para não prejudicar a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ordenou que a PF colha o depoimento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, contendo explicações sobre as declarações feitas por ele na reunião ministerial de 22 de abril. Na ocasião, ele disse ser a favor de botar “esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.

Lá fora, os investidores olham a tensão entre Estados Unidos e China. O país asiático aprovou uma resolução que autoriza a elaboração de uma nova lei de segurança nacional para Hong Kong abrindo um precedente para uma colisão e entre Pequim e Washington, uma vez que Donald Trump já afirmou que estuda possíveis sansões em retaliação à atitude chinesa.

Além disso, os mercados devem olhar o pacote de estímulos da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, no valor de 750 bilhões de euros como forma de amenizar os impactos causados pela crise do coronavírus.

O presidente norte-americano, Donald Trump, assinará um decreto em breve sobre as empresas de mídia social, disse uma porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany. As informações são da agência de notícias “Dow Jones”.

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos apoiou um projeto de lei que determina que o governo de Donald Trump imponha sanções às autoridades chinesas por conta da opressão sobre a minoria muçulmana uigur.

Em relação à pandemia causada pelo novo coronavírus, o número de mortes no mundo está em mais de 356 mil pessoas, de acordo com a contagem da universidade norte-americana Johns Hopkins, enquanto o número de casos no mundo já ultrapassou 5,7 milhões de infectados. O Brasil possui 411,821 mil casos confirmados, enquanto 25,598 mil pessoas morreram por causa da doença.

Ontem, o Ibovespa encerrou em alta de 2,89%, aos 87.946,25 pontos, puxado pelas ações de siderúrgicas e acompanhando a alta de bolsas no exterior, além de notícias de reabertura de economias, vacinas contra o coronavírus e novo pacote de estímulo econômico na Europa.

Nesta manhã, os contratos futuros de ações dos Estados Unidos operam no campo positivo, refletindo uma possível nova vacina contra o coronavírus e a reabertura de algumas economias, embora possa reverberar o aumento da tensão entre o país e a China.

Na Europa, por sua vez, os mercados operam em alta ainda em razão do pacote de estímulos da União Europeia no valor de 750 bilhões de euros para recuperar a economia do forte abalo causado pelo coronavírus.

Na Ásia, os principais índices do mercado de ações fecharam sem direção comum, em meio a reaberturas econômicas e medidas de estímulos, e após a Assembleia Popular Nacional da China aprovar uma resolução para a lei de segurança nacional para Hong Kong.

EMPRESAS

A Petrobras anunciou a precificação de emissão de títulos no exterior no valor de US$ 3,25 bilhões, por meio da subsidiária Petrobras Global Finance (PGF).

A Rumo, do conglomerado Cosan, obteve prejuízo líquido de R$ 274 milhões no primeiro trimestre de 2020, revertendo o lucro visto um ano antes. O prejuízo líquido ajustado, que exclui os custos e despesas da Malha Central e a despesa da Malha Paulista, foi de R$ 136 milhões.

A Oi, em recuperação judicial, decidiu adiar a divulgação do balanço do primeiro trimestre do ano e do relatório de revisão dos auditores independentes de 28 de maio para o dia 15 de junho, se valendo do decreto 931 que permite a extensão do prazo de divulgação devido à crise causada pela pandemia do coronavírus.

O Banco do Brasil (BB) fará um estudo interno para aprimorar os critérios para exibição da marca em veículos digitais, após o banco ser alvo de polêmica envolvendo a veiculação de publicidade em veículos acusados de disseminar informação falsa.

A Petrobras iniciou os procedimentos que permitem a outros produtores de gás natural no Brasil tenham acesso às suas unidades de processamento.

O conselho de administração da Ecorodovias autorizou a diretoria a assinar o aditivo n 2 ao contrato de financiamento da ECO1010 com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o aditivo n 3 entre a concessionária Ponte Rio-Niterói e a mesma instituição financeira.

A Suzano informou que pagará R$ 4,9 milhões aos acionistas a título de dividendos anuais do exercício 2019. O crédito será realizado no dia 4 de junho e corresponde a R$ 0,0272 por ação ordinária e R$ 0,02992 por ação preferencial classe A e B.