RADAR DO DIA: Coronavírus e cena local devem reverberar nos negócios

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São Paulo – Num dia de agenda fraca mais do que nunca os negócios serão baseados pelas ações de governos no combate à pandemia do Covid-19, nome do novo coronavírus, além das estatísticas em torno da doença. Internamente, novos fatos e intrigas políticas também podem mexer com os mercados.

Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória (MP 946) autorizando os trabalhadores a sacarem até R$ 1.045 de suas contas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) entre 15 de junho e 31 de dezembro.

Além disso, a afirmação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de que será difícil a construção de um acordo em torno do plano Mansueto, com o foco do parlamento pela manutenção no auxílio de estados e municípios, que passarão a perder arrecadação a partir de abril, ainda reverbera nos negócios.

Os investidores também devem ficar de olho em ações do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em relação ao combate à doença e ruídos políticos em torno do seu nome. A pasta definiu critérios para a adoção do distanciamento social, recomendando que nas cidades onde menos de 50% dos leitos de UTI estejam ocupados seja “seletivo”.

No Brasil, o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus ultrapassou 12 mil, e o total de mortes provocadas pela doença chegou a 667.

No exterior, o governo norte-americano deve cortar o financiamento para a Organização Mundial de Saúde (OMS) em um momento no qual a entidade articula a resposta global contra a pandemia do novo coronavírus.

O Congresso dos Estados Unidos deve aprovar uma ajuda adicional de US$ 250 bilhões às empresas do país, de acordo com o presidente Donald Trump. O líder norte-americano disse ainda que o distanciamento social ainda é a melhor maneira de controlar a disseminação do novo coronavírus.

Na Europa, o Eurogrupo não chegou a um acordo sobre as medidas de estímulos que adotarão como uma resposta comum aos impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus na região. “Após 16h de discussões, chegamos perto de um acordo, mas ainda não estamos lá”, disse o presidente do grupo, Mário Centeno.

O petróleo é outro tema que os investidores devem ficar de olho, já que a Rússia e a Arábia Saudita passaram a disputar participação no mercado depois que Moscou se recusou no mês passado a aceitar cortes mais amplos na produção em uma tentativa de equilibrar o mercado, que sofre com a queda da demanda global devido à pandemia do coronavírus.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 3,08%, aos 76.358,09 pontos, após o arrefecimento no número de novos casos de coronavírus em alguns países.

Nesta manhã, os contratos futuros dos principais índice do mercado de ações dos Estados Unidos apontam para uma abertura positiva, de olho na ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e na promessa de Trump de que novas medidas contra o coronavírus serão tomadas.

As principais bolsas da Europa operam em queda diante da preocupação sobre as incertezas relacionadas à doença e a reunião do Eurogrupo.

Na Ásia, os principais índices do mercado de ações asiático fecharam mistos de olho em novos desdobramentos sobre o coronavírus e possíveis novas medidas de países para conter a proliferação.

CORPORATIVO

O conselho de administração da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) aprovou a emissão de 10 notas promissórias, em série única, pelo valor unitário de R$ 40 milhões, totalizando R$ 400 milhões. As notas têm prazo de vencimento de um ano.

A Eletrobras informou que a diretora de Governança, Riscos e Conformidade, Lucia Maria Martins Casasanta, permanecerá no cargo após o dia 30 de abril, até que a empresa escolha um novo executivo para assumir a função sem prejuízos das atividades.

O conselho de administração do Santander aprovou a eleição de Marcelo Augusto Dutra Labuto para o cargo de diretor sem designação específica. Labuto ficará no cargo até a assembleia geral ordinária (AGO) que acontecerá em 2021, quando será eleita a diretoria do banco.

O Magazine Luiza postergou a divulgação dos resultados corporativos do primeiro trimestre deste ano para o final de maio. Antes, a empresa divulgaria o balanço no dia sete de maio

A administradora de Shopping Centers Iguatemi cancelou a assembleia geral ordinária (AGO) marcada para o dia 16 de abril, devido à disseminação do coronavírus no país.

O Banco do Brasil (BB) informou que pagará dividendo mínimo obrigatório de 25% aos acionistas, em consonância com a resolução 4.797 do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O Grupo Cosan suspendeu as projeções financeiras divulgadas para o ano de 2020, devido às incertezas econômicas provocadas pela pandemia de coronavírus.

O conselho de administração do Magazine Luiza autorizou a emissão de R$ 800 milhões em debêntures com valor unitário de R$ 1 mil e vencimento em série única e vencimento em 13 de março de 2021.

A companhia aérea Azul disse que avalia contratar uma nova linha de crédito com instituições financeiras, inclusive com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), devido aos possíveis impactos econômicos que a pandemia do novo coronavírus sobre as operações da companhia.

A Petrobras cancelou a assembleia geral ordinária (AGO) convocada para o dia 27 de abril, devido à pandemia de coronavírus. Segundo o órgão, a nova data da AGO ainda será definida e comunicada aos acionistas.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o repasse para as distribuidoras de energia da parte dos agentes do mercado livre, dos recursos financeiros disponíveis no fundo de reserva para alívio futuro de encargos. Os repasses serão feitos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).