RADAR: Atenção a Vale e crise entre Maia e Bolsonaro

São Paulo – Os investidores devem ficar atentos nesta segunda-feira principalmente aos desdobramentos da crise entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente da República, Jair Bolsonaro.

A relação entre ambos azedou na semana passada por causa de críticas do Palácio do Planalto direcionadas a Maia, um dos principais articuladores da reforma da Previdência no Congresso. Em consequência disso, o presidente da Câmara indicou que deixará o papel de articulador da proposta, embora tenha se comprometido a defender a importância da reforma junto à sociedade e aos congressistas.

A tensão entre os dois lados começa a ter consequências concretas em relação à tramitação da reforma da Previdência. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, Felipe Francischini (PSL-PR), disse que vai esperar a poeira baixar para indicar um relator da comissão para a proposta de reforma da Previdência.

“Quero tomar decisão que não cause transtorno ou erros na tramitação”, ponderou, na sexta-feira à noite, acrescentando que nesta semana “os esforços serão grandes para organizar uma base parlamentar mais sólida e coesa”. Para ele, o Palácio do Planalto “deve abrir as portas para dialogar com líderes partidários.”

Entre os indicadores econômicos divulgados até agora, o Banco Central divulgou que economistas consultados para a pesquisa semanal Focus reduziram novamente a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2020 de 7,75% para 7,50%. A revisão ocorre depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter sinalizado um balanço de riscos equilibrado para a inflação e reduzido ele próprio a estimativa para a Selic no ano que vem.

Em âmbito corporativo, a Vale disse que decisões liminares tomadas pela Vara Única da Comarca de Santa Bárbara na sexta-feira (22) determinaram a paralisação das atividades em várias estruturas de contenção da empresa e, com isso, impossibilitarão a retomada das atividades na mina de Brucutu. A paralisação da operação gera impacto de 30 milhões de toneladas por ano na produção de minério de ferro da companhia.

Além disso, o diretor financeiro e de relações com investidores da Natura, José de Filippo, confirmou na sexta-feira (22) que a companhia mantém discussões com a norte-americana Avon a respeito de uma potencial negociação de compra envolvendo as companhias. Filippo afirmou que a companhia não pretende fazer comentários adicionais neste momento, porém comunicará ao mercado quando apropriado.

No setor de combustíveis, a BR Distribuidora informou que a pauta da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) prevê que na reunião, marcada para 24 de abril, os acionistas votem sobre alterações no estatuto social da companhia, entre outros assuntos.

As modificações no estatuto que serão submetidas à aprovação incluem a alteração do capital social, a possibilidade de a empresa firmar contratos de indenidade e a hipótese de membros da diretoria participarem do conselho de administração de outras sociedades.

Gustavo Nicoletta / Agência CMA (g.nicoletta@cma.com.br)

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