RADAR: Atenção a dados da China e onda de balanços no Brasil

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São Paulo – Dados divulgados pela China mostraram que em julho o país registrou queda inesperada nas vendas do varejo e aumento menor que o previsto na produção industrial. A notícia faz com que as bolsas na Europa e os contratos futuros de índices de ações nos Estados Unidos operem em queda.

A reunião no fim de semana entre a China e os Estados Unidos para revisar os termos de um acordo comercial também deve contribuir para as perdas, com investidores evitando assumir risco antes do evento.

No Brasil, os dados sobre a atividade econômica de junho mostraram alta de 4,9% em relação a maio e queda de 7,1% ante junho do ano passado, praticamente em linha com as estimativas do mercado. Os mercados brasileiros operam em leve alta.

Além disso, o mercado digere a aprovação do projeto de lei que desonera as hidrelétricas de compensação financeira quando a geração de energia for menor que a esperada e a responsabilidade não for diretamente das usinas – um entrave que há anos era questionado pelo setor.

Em âmbito corporativo, os investidores digerem uma série de balanços divulgados desde o fechamento do pregão de ontem.

O lucro líquido da JBS aumentou 54,8% no segundo trimestre, para R$ 3,38 bilhões, enquanto a receita líquida cresceu 32,9%, para R$ 67,58 bilhões.

O prejuízo líquido da Suzano somou R$ 2,05 bilhões no segundo trimestre, após lucro um ano antes. A receita líquida cresceu 20,0%, para R$ 8 bilhões. As vendas de papel e celulose da Suzano cresceram 19,8%, para 3 milhões de toneladas. A produção, por sua vez, subiu 10,9%, para 2,8 milhões de toneladas.

A Hapvida registrou lucro líquido de R$ 177,5 milhões no segundo trimestre de 2020, queda de 20,5% na comparação anual. No trimestre, a receita líquida alcançou R$ 1,409 bilhão, 10,4% maior que o visto no mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido da B3 aumentou 36,2% no segundo trimestre, para R$ 891,8 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 34,8%, para R$ 2,129 bilhões. Em termos ajustados, que removem do resultado despesas ou ganhos não recorrentes, o lucro da B3 subiu 28,9% no primeiro trimestre, para R$ 1,012 bilhão.

A B3 elevou a projeção de investimentos em 2020 para a faixa de R$ 395 milhões a R$ 425 milhões, ante estimativa anterior de R$ 300 milhões a R$ 330 milhões, afirmando que fará aportes para aumentar a capacidade dos sistemas e plataformas diante do aumento no volume de negociações no mercado.

A B3 também aumentou para a faixa de R$ 170 milhões a R$ 200 milhões, de R$ 145 milhões a R$ 165 milhões, a projeção de despesas atreladas ao faturamento.

A Hering reportou lucro líquido de R$ 126,8 milhões no segundo trimestre de 2020, elevação de 3,1 vezes em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o aumento no lucro líquido é decorrente de uma elevação no resultado financeiro líquido, impactado pela atualização de créditos de PIS/Cofins no valor de R$ 110,1 milhões.

O prejuízo líquido da companhia digital B2W diminuiu 41,5% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 74,6 milhões, mesmo diante de um aumento de 64,7% na receita, a R$ 2,43 bilhões, por causa de um aumento nas despesas operacionais.

A Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) teve lucro de R$ 347,4 milhões no segundo trimestre deste ano, após prejuízo de R$ 142,1 milhões reportado no mesmo período do ano passado.

A Natura apresentou prejuízo de R$ 388,5 milhões no segundo trimestre, depois de um lucro de R$ 54,3 milhões no mesmo período do ano passado, refletindo tanto a queda de 12,7% na receita, a R$ 6,987 bilhões, quanto um aumento nas despesas.

O conselho de administração da Vale aprovou a implantação do Projeto Serra Sul 120, que aumentará em 20 milhões de toneladas por ano a capacidade da mina e da usina S11D, no município de Canaã dos Carajás, no Pará. Com isso, a capacidade destas operações aumentará para 120 milhões de toneladas por ano.

O conselho de administração da Telefônica Brasil aprovou uma proposta para converter as ações preferenciais da companhia em papéis ordinários, na proporção de um para um. Haverá uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em 1 de outubro para os acionistas decidirem sobre o assunto.

O prejuízo da Energisa aumentou cerca de 10 vezes no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 88 bilhões, pressionado em parte pela queda na venda de energia e na receita, mas refletindo principalmente efeitos sem efeito no caixa da companhia, como a marcação a mercado de bônus de subscrição de debêntures da empresa.

O lucro da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) caiu 16,8% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 378,2 milhões, mesmo diante de um aumento de 10,9% na receita operacional líquida, para R$ 4,432 bilhões.

O lucro líquido ajustado da administradora de shoppings centers BR Malls caiu 93,1% no segundo trimestre na comparação anual e somou R$ 10,25 milhões. A receita líquida foi de R$ 185,54 milhões, retração de 43,7% na mesma base de comparação.

O lucro da Equatorial aumentou 18,6% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 406 milhões, apesar de um declínio de 20,4% na receita operacional líquida da companhia na mesma comparação, para R$ 3,482 bilhões.

O lucro líquido da Rumo mais que dobrou no segundo trimestre, atingindo R$ 405 milhões, refletindo tanto o aumento de 5,7% na receita operacional líquida, para R$ 1,828 bilhão, quanto um crédito extraordinário de R$ 348 milhões referente às operações da Malha Paulista.

O prejuízo da Oi, em recuperação judicial, mais que dobrou no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 3,41 bilhões, enquanto a receita líquida da companhia diminuiu 10,8% na mesma comparação, para R$ 4,544 bilhões.