Projeção de alta do PIB britânico cai de 1,25% a 0,75% em 2020, diz BoE

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BoE Reino Unido
Sede do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). Foto: Divulgação; Banco da Inglaterra

São Paulo – O Banco da Inglaterra (BoE) revisou para baixo sua projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido para este ano e os dois próximos, citando os impactos do menor crescimento global e de incertezas relacionadas ao Brexit, mesmo em meio a sinais de que eles podem estar diminuindo.

A projeção para o crescimento do PIB do Reino Unido este ano caiu para 0,75%, após a previsão de alta de 1,25% divulgada em novembro. Para 2021, houve queda de 1,75% para 1,5%, e para 2021 a projeção foi rebaixada de 2% para 1,75%, de acordo com o Relatório de Política Monetária do BoE.

“O crescimento mais lento do PIB do Reino Unido reflete em parte o impacto do crescimento global, que enfraqueceu significativamente para abaixo das taxas potenciais”, diz o BoE, destacando que a desaceleração tem sido particularmente aparente no setor industrial.

Além disso, “incertezas elevadas sobre políticas econômicas domésticas também pesaram no crescimento do Reino Unido”, incluindo as relacionadas ao Brexit. O BoE destacou seu impacto nos investimentos das empresas, que adiaram os até terem maior clareza sobre o futuro ambiente comercial, enquanto os gastos dos consumidores foram mais resistentes à incerteza.

Por outro lado, o BoE disse que “a incerteza diminuiu desde novembro, embora permaneça elevada pelos padrões históricos”. O banco central britânico citou uma pesquisa mostrando que as incertezas sobre as perspectivas de curto prazo recuaram, mas permaneceram elevadas no médio prazo.

“Em particular, as empresas continuam incertas sobre a natureza exata do futuro relacionamento do Reino Unido com a União Europeia”. O país deixa oficialmente o bloco europeu amanhã, e terá até dezembro deste ano para negociar um acordo comercial.

O Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês), porém, fez projeções condicionadas à suposição de que “haverá uma mudança imediata, mas ordenada, para uma profundo acordo de livre-comércio com a UE em 1 de janeiro de 2021”, ainda que algumas barreiras ao comércio, como divergências regulatórias, possam emergir gradualmente com o tempo.

“Esses efeitos vão pesar no crescimento da produtividade. Maiores atritos comerciais também aumentam os custos das empresas, o que coloca um pouco de pressão ascendente sobre a inflação”.