Produção industrial sobe 4º mês, diz IBGE

132
Cultivo de eucalipto em indústria de celulose em Mucuri Foto: Amanda Oliveira/GOVBA

São Paulo, 2 de outubro de 2020 – A produção industrial brasileira subiu pelo quarto mês consecutivo, em +3,2% em agosto, dando continuidade à recuperação após acumular perdas de quase 30% entre março e abril, sob impacto da pandemia de coronavírus, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal ficou ligeiramente abaixo da previsão, de +4,0%, conforme mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

Já na comparação anual, a produção industrial brasileira recuou 2,7%, no décimo resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto. A queda foi levemente maior que a mediana das expectativas, de -2,0%, ainda conforme o Termômetro CMA. Com o resultado, a indústria nacional acumula perdas de 8,6% nos oito primeiros meses deste ano e de -5,7% nos últimos 12 meses até agosto.

Para o gerente da pesquisa, André Macedo, o resultado de agosto mostra que a indústria nacional segue em recuperação após o agravamento das medidas para conter a pandemia. “Há uma manutenção de certo comportamento positivo do setor industrial nos últimos meses. É um avanço bem consistente e disseminado entre as categorias, mas ainda há uma parte a ser recuperada”, pondera.

Segundo o IBGE, o setor industrial ainda está 2,6% abaixo do patamar de fevereiro, período pré-pandemia. A abertura do dado mensal mostra que houve alta em 16 das 26 atividades pesquisadas. Entre elas, a que influência mais positiva foi, mais uma vez, a de veículos automotores, reboques e carrocerias (+19,2%), acumulando expansão de 901,6% em quatro meses. Por outro lado, o ramo de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,7%) foi o destaque negativo no período.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação a julho, bens de consumo duráveis cresceram 18,5%, na quarta taxa positiva seguida; bens de capital avançaram 2,4% e bens intermediários, +2,3%. Já bens de consumo semi e não-duráveis oscilaram em alta de 0,6%.

Já no confronto com igual mês do ano anterior, o setor industrial registrou resultados negativos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 12 dos 26 ramos pesquisados. O IBGE observa que agosto deste ano teve um dia útil (21 dias) a menos do que igual mês do ano anterior (22 dias).

Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-25,7%) exerceu a maior influência negativa. Na outra ponta, destaque para a alta em produtos alimentícios (+5,7%). Entre as quatro grandes categorias econômicas, houve queda em bens de consumo duráveis (-7,7%), bens de capital (-16,9%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-7,0%). Já bens intermediários registraram a única taxa positiva no mês (+1,9%).