Produção industrial contraria projeções e recua 0,7% em fevereiro

Foto: Anamul Rezwan / Pexels

São Paulo – A produção industrial brasileira interrompeu uma sequência de nove meses em alta para recuar 0,70% em fevereiro em relação a janeiro, ficando apenas 2,8% acima do nível pré-pandemia, exatamente um ano antes. O resultado mensal veio na contramão da previsão de alta de 0,35%, conforme mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

Já na comparação anual, a produção industrial brasileira registrou o sexto mês consecutivo de alta, avançando 0,40%. O resultado, porém, também veio aquém da mediana das expectativas, de +1,60%, ainda conforme o Termômetro CMA. Com o resultado, a indústria nacional acumula queda de 4,2% em 12 meses até fevereiro e alta de 1,3% no acumulado do ano. Com isso, a indústria nacional ainda se encontra 13,6% abaixo do topo recorde, alcançado em maio de 2011.

A abertura do dado mensal mostra que houve retração em 14 das 26 atividades pesquisadas, com recuo em três das quatro grandes categorias. Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, além do desabastecimento de matérias-primas, o grande número de desempregados, o aumento de preços, as dificuldades no mercado internacional e a interrupção da concessão do auxílio emergencial no final do ano passado figuram entre os fatores que vêm influenciando negativamente a cadeia produtiva.

Entre as atividades pesquisadas, as principais influências negativas vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,2%), que haviam acumulado 1.249,2% de expansão em nove meses seguidos de crescimento, e de indústrias extrativas (-4,7%).

Já entre as 12 atividades em alta, outros produtos químicos (+3,3%), em alta pelo quarto mês seguido, e máquinas e equipamentos (+2,8%) representaram os principais impactos positivos em fevereiro de 2021.

Enquanto isso, entre as grandes categorias econômicas pesquisadas, ainda em relação a janeiro, bens de consumo duráveis (-4,6%) registraram a maior queda em fevereiro, recuando pelo segundo mês seguido e acumulando retração de 5,5% em 2021. Também registraram taxas negativas os segmentos de bens de capital (-1,5%), interrompendo expansão acumulada de 147,1% nos nove meses anteriores, e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%). A única taxa positiva entre as categorias foi registrada por bens intermediários (+0,6%).

Já no confronto com igual mês do ano anterior, o setor industrial registrou resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 17 dos 26 ramos pesquisados. O IBGE observa que fevereiro de 2020 teve dois dias úteis a menos que o mesmo mês do ano anterior, totalizando 20 dias.

Entre as atividades, as de máquinas e equipamentos (+18,5%), produtos de metal (+10,6%), produtos de minerais não-metálicos (+9,7%) e outros produtos químicos (+8,1%) exerceram a maior influência positiva. Na outra ponta, destaque para a queda em indústrias extrativas (-6,7%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-6,7%), produtos alimentícios (-4,4%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,8%). Entre as quatro grandes categorias econômicas, bens de capital subiram 16,1% e bens intermediários avançaram 0,5%. Enquanto isso, bens de consumo duráveis caíram 8,4% e bens de consumo semi e não-duráveis tiveram queda de 1,6%.