Produção de aço bruto cai 8,9% no primeiro semestre, para 15,9 mi toneladas, diz Instituto Aço Brasil

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São Paulo – A produção de aço bruto no Brasil caiu 8,9% em junho de 2023 ante o mesmo mês do ano anterior, as vendas internas caíram 5,7% em junho. As exportações caíram 4,2%, enquanto as importações subiram 43,2%. O consumo aparente caiu 1,6% no mês passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil nesta terça-feira.

No acumulado de janeiro a junho, a produção de aço bruto no Brasil somou 15,972 milhões de toneladas, queda de 8,9% frente ao mesmo período de 2022.

As vendas totais de aço no Brasil caíram 5,7% em entre janeiro e junho ante o primeiro semestre de 2022, para 9,626 milhões de toneladas.

O maior volume de vendas no mês foi de aços laminados planos, com um total de 5,459 milhões de toneladas comercializadas, uma baixa de 3,8% frente ao mesmo período de 2022, enquanto a venda de aços laminados longos caiu 8%, para 4 milhões de toneladas vendidas.

As exportações caíram 4,2% no semestre, para 6,315 milhões de toneladas embarcadas, enquanto as importações cresceram 43,2%, para 2,208 milhões de toneladas.

O consumo aparente no primeiro semestre totalizou 11,557 milhões de toneladas, queda de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

PROJEÇÕES

O Instituto Aço Brasil cortou a previsão de produção de aço bruto para 2023 para 32,388 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 5% em relação à produção de 2022. Em abril, a entidade reafirmou a previsão anunciada em novembro de 2022, de produção de 34,760 milhões de toneladas de aço bruto, o que seria um avanço de 2% ante 2022.

A entidade também reduziu a projeção de vendas internas para o ano, para 19,116 milhões de toneladas, baixa de 6% em relação a 2022, de 20,182 milhões de toneladas (-0,7%) estimado em abril. Em novembro de 2022, o instituto previa crescimento de 1,9% nas vendas, para 20,605 milhões de toneladas em 2023.

A projeção para exportações também caiu para 11,903 milhões de t, queda de 0,3%, de 12,845 milhões de t (+7,6%) prevista em abril, enquanto a importação deve subir 25,6%, a 4,209 milhões de t, de 3,432 milhões de t (+2,5%) em abril.

O consumo aparente deve encerrar o ano em queda de 2,6%, para 22,912 milhões de t. A previsão anterior era de queda de 1%, para 23,287 milhões de t em abril.

Os investimentos da indústria do aço devem chegar a US$ 2,5 bilhões em 2023 e US$ 9,5 bilhões de 2024 a 2027, totalizando US$ 12 bilhões em todo o intervalo. De 2008 a 2022, o setor investiu US$ 31,4 bilhões, segundo o Instituto Aço Brasil.

Segundo os executivos, a queda na produção reflete a falta de mercados, com o fraco desempenho da construção civil, indústria automobilística e máquinas e equipamentos. O Instituto Aço Brasil espera melhora da construção civil no segundo semestre com o relançamento do programa Minha Casa Minha Vida pelo governo federal e com os lançamentos para o mercado imobiliário de alta renda.

“Os principais setores consumidores de aço não performaram bem no primeiro semestre e devem ter melhora, mas não muito significativa, no segundo”, disse Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, em entrevista a jornalistas.

A entidade atribuiu o aumento das importações no pais à recessão mundial e ao aumento dos juros pelos bancos centrais, o que tem gerado uma sobrecapacidade mundial e busca de mercados pelos países produtos de aço. “O Brasil tem mais de 20 milhões de consumo de aço e com o menor consumo dos Estados Unidos e Europa, sobra aço no mundo. Outro ponto é o câmbio. Com o real valorizado, o Brasil perde competitividade para exportar e melhora para importar. O câmbio, no atual patamar entre R$ 4 e R$ 5, não é bom para a balança comercial”, explicou Jefferson de Paula, conselheiro do Instituto Aço Brasil.

“O consumo aparente caiu 1,6% e as vendas caíram mais ainda, o que significa que a importação que está chegando está roubando nossos mercados”, acrescentou.