Presidente Lula discursa em evento da Organização Internacional do Trabalho na Suíça

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O presidente Lula durante discurso na Conferência Internacional do Trabalho em Genebra, na Suíça. Foto: Ricardo Stuckert / PR

São Paulo, 13 de junho de 2024 – O presidente Luís Inácio Lula da Silva discursou nesta quinta-feira no Fórum Inaugural da Coalizão Global pela Justiça Social, durante a Conferência Internacional do Trabalho (CIT), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça. Ele defendeu a taxação de grandes fortunas, alertou para o aumento da informalidade e da pobreza, da piora das condições laborais e da qualidade de vida por conta das mudanças climáticas e defendeu a presença dos países do Sul Global em órgãos de representação global.

“Retorno à OIT com a esperança de superar tempos adversos. Essa foi uma das primeiras organizações internacionais a ganhar o Prêmio Nobel da Paz e foi onde escolhi fazer discurso e discutir o colapso financeiro de 2008”, relembrou Lula.

Lula disse que agora, novas tensões geopolíticas se somam a conflitos existentes em diversas partes do planeta.

“Os efeitos da mudança climática tem deteriorado a qualidade de vida global, 2,4 tri de trabalhadores são afetados pela elevação do calor.”

Apesar da projeção de redução do desemprego no mundo, o presidente brasileiro chamou a atenção para o avanço da informalidade. “A renda do trabalho segue em queda para menos escolarizados. Muitos não estudam, nem trabalham. Muitos no Brasil vivem em extrema pobreza, mesmo empregados.”

“As mulheres são elos mais vulneráveis no mercado de trabalho. Mais de meio bilhão de mulheres em idade ativa estão fora do mercado de trabalho.”

“Mais de 80 bilhões de imigrantes vivem no sul global.”

O presidente brasileiro também disse que “o mundo tem uma arquitetura financeira disfuncional, em que bancos de desenvolvimento investem muito pouco.”

Lula também voltou a criticar os conflitos entre Ucrânia e Rússia e Israel e Palestina. “Se deseja paz, não permita injustiça – máxima é ainda mais pertinente às guerras na Ucrânia e Gaza. Trabalhadores são direcionados às frentes de batalha sem saber se irão voltar para casa. Em 2023, foram gastos US$ 2,4 tri em guerras. O mundo precisa de paz e estabilidade e não de guerra.”

O presidente do Brasil também disse que, em 2024, o maior número de eleitores irá às urnas e defendeu a democracia.
“Democracia e participação social são fundamentais para direitos trabalhistas. Sem isso, um torneiro mecânico jamais chegaria à presidência de um país.”

“O extremismo político ataca e negligencia minorias. O negacionismo político permite que aventureiros espalhem mentiras e ódio. Lula disse que não se pode discutir finanças sem considerar emprego e renda e que uma parcela minoritária do mundo detém fortuna de US$ 15 tri para sublinhar que o Brasil está propondo a taxação dos mais ricos no debate do G20.”

O presidente brasileiro disse que as enchentes no Brasil, Quênia e China mostram “que o planeta já não aguenta mais e que na COP30, em Belém, o mundo inteiro poderá ver o que deseja para a Amazônia. As florestas não são santuário para deleite da elite global e têm pessoas que precisam de saúde e renda.”

“Até 2030, o Brasil se compromete a ter desmatamento zero na Amazônia.”

Lula disse que o Brasil vai trabalhar pela ratificação da Emenda de 1986 à Constituição da OIT, que altera o sistema de governança da entidade. O assunto foi discutido em reunião na última terça-feira (11), pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, com os 10 países de maior importância industrial da OIT (Alemanha, Brasil, China, EUA, Federação Russa, França, India, Itália, Japão e Reino Unido).

“Não faz sentido apelar aos países em desenvolvimento sem que eles tenham representação global”, discursou Lula.