Presidente do Chile suspende alta na passagem de metrô e decreta toque de recolher

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Presidente do Chile, Sebastian Piñera. Foto: Divulgação / Governo do Chile

Por Federico Frau Barros

Buenos Aires – O presidente do Chile, Sebastian Piñera, anunciou neste fim de semana a suspensão do aumento de preços de transporte público e decretou um toque de recolher, após uma semana de fortes tensões sociais e repressões que resultaram em mortos, feridos e detidos, em uma escalada da violência nos últimos dias.

“Vamos suspender o aumento das passagens do metrô, o que exigirá aprovação de uma lei que deve ser muito urgente, até chegarmos a um acordo que nos permita proteger melhor nossos compatriotas frente a altas bruscas e inesperadas no preço do dólar ou do petróleo, como tem ocorrido nos últimos meses e que são a causa do aumento das tarifas”, afirmou o Chefe de Estado em discurso no sábado.

“Ouvi com humildade e com muita atenção a voz dos meus compatriotas e não terei medo de continuar ouvindo essa voz, porque assim se constroem as democracias e porque assim alcançamos maior união entre nossos chilenos”, acrescentou Piñera.

Hoje será o primeiro dia útil do toque de recolher anunciado neste final de semana pelo presidente, depois de decretar estado de emergência na semana passada. A mídia local fala sobre pelo menos uma dúzia de mortos na repressão aos protestos durante o fim de semana. As aulas foram suspensas, a maioria dos vôos foi cancelada, há supermercados que permanecerão fechados e os bancos ainda avaliam se abrirão hoje, de acordo com a imprensa local.

No entanto, no dia seguinte, longe de transmitir tranquilidade à população, o presidente disse que eles estão em guerra “contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada ou ninguém e que está disposto a usar violência e a delinquência sem limite, que esteá disposto a queimar nossos hospitais, o metrô, os supermercados, com o único objetivo de produzir o maior dano possível.”

“Não vamos nos enganar. Estamos enfrentando uma verdadeira escalada que sem dúvida é organizado para causar um grave dano ao nosso país e à vida de cada um dos cidadãos”, disse ontem o Ministro do Interior do país, Andrés Chadwick, na casa do governo, antes da fala do presidente. Chadwick relatou que mobilizaram 10,5 mil militares e policiais em todo o país do país para “tentar resguardar a ordem pública”.

O conflito no Chile começou depois que grupos de pessoas convocaram a evadir os controles no metrô, após um aumento na tarifa da passagem do transporte público anunciado no dia 6 de outubro por Piñera, com um aumento de 30 pesos chilenos para o metrô, para 830 pesos, nos horários de pico.

Edição: Julieta Marino

Tradução: Cristiana Euclydes