Presidente do BOE diz que expectativas de inflação seguem bem ancoradas

O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey / Foto: Banco da Inglaterra

São Paulo – O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, disse que as expectativas de inflação seguem bem ancoradas e que não vê implicações de longo prazo na aceleração da taxa esperada para este ano em meio ao processo de reabertura econômica.

“O comitê de política monetária julga que esses desdobramentos transitórios devem ter poucas implicações diretas para a inflação no médio prazo”, disse ele ao Comitê do Tesouro do parlamento britânico.

No início do mês, o BoE previu que a inflação superará sua meta de 2,0%, alcançando 2,5% até o final deste ano, antes de desacelerar lentamente.

“Vamos observar muito cuidadosamente o comportamento da inflação”, afirmou Bailey, acrescentando que a inflação segue abaixo da meta neste momento.

Em abril, o índice de preços ao consumidor do Reino Unido subiu 1,5% em abril em relação ao mesmo mês de 2020, após a alta de 0,7% de março, segundo informações do escritório nacional de estatísticas do país.

Bailey, no entanto, reconheceu que se a pressão inflacionária persistir, o BoE será chamado a agir. “Vemos um comportamento misto de preços: alguns setores estão enfrentando preços mais altos, enquanto isso não acontece em outros setores. Acreditamos no reequilíbrio entre a oferta e a demanda, mas se isso não acontecer e a pressão inflacionária persistir, aí seremos chamados a agir”, disse ele.

Na reunião do último dia 6, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica de juros do Reino Unido inalterada em 0,1% e os estoque de compras de ativos em 895 bilhões de libras.

O chefe do BoE comparou o comportamento da inflação no Reino Unido e nos Estados Unidos, afirmando que os dois países enfrentam os mesmos efeitos transitórios derivados da reabertura econômica, dos gargalos de oferta e dos preços da energia.

“Embora as similares sejam muitas, estamos em uma situação diferente: a inflação permaneceu muito tempo muito abaixo da meta de 2% do Federal Reserve. No Reino Unido, isso não aconteceu, em parte, porque somos uma economia mais aberta, o que tende a afetar a inflação”, afirmou.

Bailey disse ainda que pelo fato de a inflação não ter se afastado tanto da meta de 2% no Reino Unido, “não faz sentido adotar uma estratégia para a inflação como nos Estados Unidos”. “Nossa meta é de 2% e ponto”, afirmou.

Em agosto, o Fed alterou sua estratégia para a inflação, permitindo que a taxa supere a meta de 2% por algum tempo para compensar períodos em que esteve abaixo desse patamar.