Presidente argentino diz na posse que país deve crescer antes de pagar dívidas

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O presidente da Argentina, Alberto Fernández, e a vice-presidente, Cristina Fernández de Kirchner. Foto: Divulgação/ Campanha Alberto Fernández

Por Julieta Marino

Buenos Aires – O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse em seu discurso de posse que o governo do país pagará a dívida pública, mas somente quando a economia retornar ao crescimento.

“O governo que acaba de terminar seu mandato deixou o país em uma situação de default virtual. Apelo à responsabilidade e o patriotismo de todos”, disse Fernández, acrescentando que “precisamos aliviar a carga da dívida”.

“Não há pagamento de dívida que possa ser sustentado se o país não crescer. Para poder pagar, temos que crescer primeiro. O país tem vontade de pagar, mas falta a capacidade de fazê-lo. Sob essas premissas, assumiremos toda a negociação de nossa dívida”, explicou Fernández.

No próximo ano, os vencimentos da dívida somam US$ 21 bilhões, enquanto em 2021 e 2022 todos os vencimentos se concentram em pagar os US$ 44 bilhões emprestados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como parte do acordo de stand-by adotado pelo governo anterior, de Mauricio Macri, em 2018.

ORÇAMENTO

Fernández também confirmou que enviará entre abril e maio do próximo ano o esboço do orçamento de 2020 para o Congresso. Ele disse que os números do governo de saída não refletem nem a realidade da macroeconomia, nem as realidades sociais, nem os compromissos de dívida que foram assumidos.

“Um orçamento adequado só pode ser projetado quando a instância de negociação da nossa dívida for concluída e, ao mesmo com o tempo, tenhamos conseguido implementar um conjunto de medidas econômicas produtivas e sociais para compensar os efeitos da crise na economia real”, disse ele.

No mesmo tom, ele indicou que “para colocar a Argentina em pé, o projeto deve ser nosso e implementado por nós, não ditado de fora com receitas que sempre fracassaram.”

Em relação à situação crítica herdada, Fernández enfatizou que a taxa de inflação da Argnetina é a mais alta dos últimos 28 anos, enquanto a taxa de desemprego é a maior desde 2006. Ele destacou que o valor do dólar desde o ano de 2015 passou de 9,70 pesos para 63 pesos, apenas em quatro anos.

Ele também indicou que durante o governo de Mauricio Macri foram fechadas 20 mil empresas e foram perdidos 152 mil empregos registrados no setor privado.

Tradução: Cristiana Euclydes