Prejuízo da Klabin cresce 16 vezes no 1T20, para R$ 3,143 bilhões

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São Paulo – O prejuízo líquido da Klabin cresceu 16 vezes no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 3,143 bilhões, afetado essencialmente pelo resultado negativo nas operações financeiras da companhia, visto que as vendas no período cresceram.

O resultado da Klabin com operações financeiras foi uma perda de R$ 5,488 bilhões no primeiro trimestre. Um ano antes, o resultado também havia sido negativo, mas em R$ 450 milhões. O resultado financeiro negativo não tem efeito caixa, mas precisa ser contabilizado no balanço como perda.

“A taxa de câmbio encerrou o trimestre a R$ 5,20 por dólar, 29% superior à taxa observada ao final do quarto trimestre de 2019, impactando de forma significativa o valor de marcação a mercado de swap de taxas de juros”, disse a empresa em um relatório.

“Estes swaps são atrelados a financiamentos contratados em reais e que por meio destes instrumentos financeiros tem efeito similar a um passivo contratado em dólares. A forte desvalorização do real também gerou efeito negativo na linha de variação cambial líquida”, devido ao impacto no endividamento em dólar da Klabin, disse a companhia.

A receita líquida aumentou 4% na mesma base de comparação, a R$ 2,591 bilhões, enquanto o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado aumentou 2%, para R$ 1,028 bilhão.

O volume total de vendas do primeiro trimestre, excluindo madeira, atingiu 849 mil toneladas, o que representa uma elevação de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Do total vendido, 55% foi para o mercado interno – alta de 3 pontos porcentuais em relação ao primeiro trimestre de 2019.

As vendas de celulose representaram 45% do volume de vendas da Klabin no primeiro trimestre, enquanto as de embalagens foram 23%. Cartões ficaram com 20% e kraftliner com os 12% restantes.

A Klabin disse que as vendas foram impulsionadas pela relação dos itens produzidos com bens de primeira necessidade, em especial nos segmentos de alimentos e bebidas, produtos de limpeza, higiene pessoal e hospitalar.

“A partir do mês de março, observamos redução de demanda em setores que não de primeira necessidade, porém este foi fortemente compensado pelos demais segmentos, que apresentaram crescimento expressivo na demanda. Dentre eles, o maior destaque foi no segmento de cartões revestidos, com crescimento de 15%, puxado principalmente pelas vendas de cartões para líquidos, usado na fabricação de caixas de leite longa vida, sucos e outras bebidas”, disse a Klabin.

No primeiro trimestre, a taxa de câmbio média foi de R$ 4,47 por dólar, ou 18% maior que a observada um ano antes. Ao final do trimestre, a taxa era de R$ 5,20, ou 33% maior que a observada no final de março de 2019.

O endividamento líquido da Klabin somava R$ 20,381 bilhões ao final do primeiro trimestre, aumentando em 42% na comparação com o final do ano passado. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida por ebitda, passou de 3,3 para 4,7 vezes na mesma comparação.