Preços de energia alcançam novo recorde na Espanha em meio a crise no setor

Foto: União Europeia (UE)

São Paulo – O preço da eletricidade no mercado atacadista espanhol volta a bater um novo recorde: o megawatt-hora (MWh) vai custar em média 188,18 euros, segundo dados do Operador Ibérico do Mercado Energético (OMIE). As informações são da agência de notícias “Sputnik”.

Desta forma, a escalada de preços continua, pulverizando o recorde anterior, alcançado esta quarta-feira, com um custo de 172,78 euros em média. Se compararmos com a terceira quinta-feira de setembro de 2020, quando o MWh custava 47,11 euros, em apenas um ano os preços do mercado atacadista cresceram quase 300%.

É necessário ter em conta que nem todos os lares dependem do mercado atacadista e que os preços da eletricidade representam apenas uma parte da conta paga pelos cidadãos, que inclui também transportes ou impostos.

No entanto, de acordo com dados publicados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em agosto o preço da eletricidade aumentou 35% em base anual.

Diante desse cenário, o governo da Espanha aprovou nesta terça-feira um plano de choque com uma série de medidas para tentar evitar que o aumento dos preços seja repassado para a conta do usuário.

Uma das principais medidas do plano consiste em diminuir o excesso de remuneração obtido pelas empresas energéticas graças ao aumento do custo do gás nos mercados internacionais, cujo preço acaba por ser transferido para outras energias do pool elétrico, apesar de não influenciar a sua produção.

Pelos cálculos do governo, essa dedução permitirá recuperar cerca de 2,6 bilhões de euros em benefício dos consumidores até abril. O plano de choque foi recebido com rejeição significativa entre as empresas de energia.

O Fórum da Indústria Nuclear Espanhola ameaçou na terça-feira interromper a atividade de suas usinas sob a premissa de que o plano de choque do governo “vai ainda mais longe e penaliza a geração de energia nuclear”.

Estas ameaças foram respondidas pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, que prometeu “defender os interesses dos cidadãos acima de qualquer interesse e pressão particulares”.

Por sua vez, a ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, qualificou a resposta das empresas como uma “reação quente” e lembrou que as usinas nucleares não podem ser fechadas sem autorização do Executivo. “A eletricidade não é o mesmo que o setor de doces ou verduras, é um setor altamente regulado”, respondeu ela em entrevista à televisão pública.

A desaceleração na produção de energia eólica varreu os mercados europeus de energia, e usinas de eletricidade movidas a gás e carvão foram chamadas para compensar o déficit do vento. Os preços do gás natural, já impulsionados pela recuperação da pandemia e falta de combustível no armazenamento e em tanques, atingiram os maiores de todos os tempos.