Preços da indústria disparam em julho, na maior alta desde 2014

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São Paulo – O Indice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a evolução dos preços de produtos “na porta de fábrica” – sem impostos nem fretes – disparou 3,22% em julho, acelerando-se da alta de 0,60% em junho (em dado revisado), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior alta da série histórica, iniciada em janeiro de 2014 e do décimo segundo aumento seguido do indicador. Com isso, o IPP acumula altas de 7,28% no ano e de 11,13% em 12 meses, até julho.

Em base mensal, 21 das 24 atividades industriais pesquisadas apresentaram variações positivas de preços, contra 11 no mês anterior. Segundo o IBGE, o resultado de julho foi pressionado pelos seguintes setores: indústrias extrativas (14,46%), refino de petróleo e produtos de álcool (11,65%), fumo (4,69%) e perfumaria, sabões e produtos de limpeza (3,77%).

Em termos de influência no resultado mensal, em ponto percentual (pp), os destaques foram de alimentos (0,90 pp), refino de petróleo e produtos de álcool (0,89 pp), indústrias extrativas (0,68 pp) e metalurgia (0,14 pp).

O IBGE destacou o resultado da atividade de alimentos, que tem o principal peso no índice geral (cerca de um quarto do indicador), após retroceder em junho (-0,73%), voltou a registrar alta (3,69%) e acumula 12,03% no ano. Na comparação com julho de 2019, os preços mais recentes estavam 23,78% maiores.

“O setor foi impactado principalmente pelas altas no açúcar demerara, na carne de aves, na soja e no óleo de soja. Esses produtos sofreram a influência do câmbio, mas também de outros fatores. No caso do açúcar, houve um crescimento da demanda externa e no caso do frango, aumentou o consumo interno, além de ter subido o preço do milho e do farelo de soja, que são insumo alimentar para as aves”, explica o pesquisador do IBGE, Alexandre Brandão.

Em relação às grandes categorias econômicas, bens de capital subiram 1,34% em julho ante junho, representando +0,11 pp do resultado geral da indústria; bens intermediários dispararam 4,19% (+2,26 pp) e bens de consumo avançaram 2,25% (+0,86 pp), sendo +0,97% (+0,06 pp) para bens de consumo duráveis e +2,52% (+0,79 pp) para bens de consumo semiduráveis e não duráveis.