Powell reafirma acomodação mesmo com turbulência em mercado de dívida

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell / Foto: Fed

São Paulo – O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, manteve-se firme na premissa de que a taxa básica de juros nos Estados Unidos só será elevada quando as metas de pleno emprego e estabilidade de preços forem atingidas, afastando especulações de um aperto monetário antecipado em meio ao salto dos juros no mercado de dívida.

“O ajuste na taxa de juros depende de condições econômicas e não nas condições de mercado. Não trabalhamos com perspectiva de tempo para alterar nossa política e sim com dados”, disse ele durante participação em live do The Wall Street Journal. “O Fed que ver a inflação acelerar para a meta de 2% e se manter nesse patamar junto com a recuperação do mercado de trabalho e um crescimento sustentável da economia”, acrescentou.

Powell garantiu que as condições financeiras seguem acomodatícias e que não vê um aperto nessas condições neste momento. Neste contexto, ele afirmou que está acompanhando o movimento do mercado de dívida.

“O salto nos juros dos Treasuries foi notável e captou a minha atenção”, afirmou Powell, recusando-se a comentar sobre níveis específicos dos juros dos títulos do Tesouro.

As declarações foram suficientes para provocar uma dispara dos juros dos títulos de referência de dez anos do Tesouro, que deram um salto para 1,53%, ao mesmo tempo que afundou o mercado de ações – um movimento que tem sido recorrente nos últimos dias.

O mercado acredita que, com o processo de vacinação contra a covid-19 em curso, a economia norte-americana vai se recuperar ainda mais rápido do que o previsto, com retomada de empregos e aceleração da inflação. Esse cenário alterou toda a dinâmica em Wall Street.

“A economia está se recuperando. Acreditamos que o emprego dará um salto e que a inflação  acelere nos próximos meses. No entanto, essa retomada será temporária, transitória já que a pandemia não foi superada e o nível de incertezas segue elevado. O trabalho do Fed ainda não acabou, a economia ainda tem um longo caminho até solidificar a recuperação”, disse Powell.

Mais uma vez, o chefe do Fed disse que as metas de pleno emprego e estabilidade de preços estão longe de serem alcançadas, reafirmando o compromisso do banco central norte-americano em usar todas as suas ferramentas caso seja necessário para atingir o mandato duplo.

Em março do ano passado, o Fed cortou a taxa de juros para a faixa entre zero e 0,25% ao ano – patamar em que se encontrar e deve permanecer por alguns anos – e retomou as compras de ativos, hoje em US$ 120 bilhões ao mês.

Em sua última reunião de política monetária, em janeiro, o comitê de política monetária reafirmou o compromisso com a acomodação até que haja garantias de uma retomada sustentável da economia e alcance das metas. A próxima decisão do Fed será anunciada em 17 de março.