Política externa de EUA deve anular ímpetos da China e da Rússia, diz Biden

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden / Foto: Casa Branca

São Paulo – O presidente norte-americano, Joe Biden, deu mais pistas sobre como pretende lidar com rivais de longa data no cenário internacional, afirmando que direcionará a política externa dos Estados Unidos para conter os ímpetos de China e Rússia.

Apesar do tom duro usado na abertura de um discurso sobre política externa, Biden afirmou que usará a diplomacia para atingir os interesses do país e dos norte-americanos.

“Um exemplo disso é que conversei com o presidente [Vladimir] Putin e estendemos ontem o acordo de controle de armas [Novo Start] por mais cinco anos. Acredito que não vamos atingir nossos objetivos pela força. Mas deixei claro que não toleraremos interferências, casos de envenenamento e atentos à liberdade ou à democracia”, afirmou Biden no discurso.

Sobre a China, o presidente norte-americano disse que está pronto para trabalhar com Pequim sobre os interesses dos Estados Unidos. “Sem roubo de propriedade intelectual, sem negociações comerciais injustas, ninguém é capaz de parar os Estados Unidos”, disse.

Há uma grande expectativa em torno de como Biden vai lidar com a China, depois que seu antecessor, Donald Trump, elevou as tensões com Pequim iniciando uma guerra comercial que acabou em trocas de sobretaxas e também impôs sanções a várias autoridades chineses.

TROPAS NA ALEMANHA E IÊMEN

Como era previsto, Biden anunciou a suspensão do processo de retirada de tropas da Alemanha, uma medida adotada por seu antecessor Donald Trump.

“Ordenei aos departamentos de Estado e de Defesa que revisam toda a destruição de tropas norte-americanas ao redor do mundo e anuncio hoje o fim da retirada de tropas dos Estados Unidos na Alemanha”, afirmou Biden em um discurso sobre política externa.

Em julho, o governo de Trump confirmou os planos de reduzir suas forças da Alemanha em cerca de 12.000 soldados. Alguns analistas viram o movimento como uma resposta ao fato de Berlim não ter destinado 2% de seu orçamento para a defesa de acordo com os regulamentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Biden também disse que buscará uma solução diplomática para o Iêmen, ainda que a decisão possa desagradar os aliados sauditas.

“Vamos buscar uma solução diplomática para o conflito no Iêmen. Eu sei que a Arábia Saudita é alvo de ataques e deve defender sua soberania e apoiamos isso”, afirmou. Para alcançar a solução diplomática, Biden disse que acabará com o suporte às operações ofensivas no Iêmen.

REFUGIADOS

Biden anunciou ainda a restauração do programa de admissão de refugiados que foi desmantelado por Trump dentro de sua política de tolerância zero para imigrantes ilegais.

“Ordenei a restauração do programa e o teto de admissão de refugiados para 125 mil ao ano”, disse Biden em discurso sobre política externa, cumprindo uma promessa de campanha.

Sob a gestão de Trump, o programa de entrada de refugiados nos Estados Unidos foi em grande parte dizimado após anos de declínio nas chegadas, incluindo um limite de 15.000 imigrantes no ano fiscal de 2021, um número muito inferior aos limites historicamente altos de admissão no país.