PIB da China e receio fiscal pesam na Bolsa e impulsionam dólar

São Paulo – O crescimento abaixo do esperado na economia da China no terceiro trimestre e as preocupações com o cenário fiscal brasileiro – em particular com a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial – aumentaram a aversão ao risco aqui e no exterior e contribuem para a queda do Ibovespa e o avanço do dólar e das taxas de juros.

O Produto Interno Bruto da China cresceu 4,9% no terceiro trimestre em termos de comparação anual, enquanto a expectativa era um aumento de 5,1%. No segundo trimestre deste ano, a expansão havia sido de 7,9%.

“Tivemos a divulgação do PIB da China, abaixo do esperado, o que pesa um pouco, porque somos dependentes do mercado asiático”, disse Vitor Carettoni, diretor da Mesa de Renda Variável da Lifetime Investimentos, lembrando que o país é o principal parceiro comercial do Brasil.

Para Ricardo Leite, head de renda variável da Diagrama Investimentos, os dados do PIB da China e da produção industrial nos Estados Unidos impactaram fortemente a nossa Bolsa, mas pode haver melhora nos preços na sessão de hoje. Ele ressaltou que os investidores ficam preocupados com os rumores de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixará o governo.

“Uma ala do governo tenta derrubar o ministro, e dependendo das próximas votações pode ter uma substituição na pasta, apesar de não ter alguém à altura de Guedes que deixa o mercado mais confortável”. O ministro já afirmou que não pede demissão.

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro disse num evento em Minas Gerais que o governo deve resolver ainda esta semana se prorroga o auxílio emergencial, cujo cronograma atual prevê o pagamento da última parcela aos beneficiários neste mês.

O programa deveria ser substituído pelo Auxílio Brasil – uma versão expandida do Bolsa Família -, mas os dois requisitos legais para isso – a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios e da reforma do imposto de renda – ainda não foram cumpridos, o que levou à discussão sobre a prorrogação do auxílio emergencial.

A declaração do presidente Bolsonaro, porém, contrasta com a do ministro da Economia, Paulo Guedes, que na semana passada disse em entrevista à Bloomberg que o governo federal só retomaria os pagamentos do auxílio emergencial caso o Brasil voltasse a registrar aumento de casos e mortes por covid-19 – o que não é o caso.

O Brasil registrou queda de 8,2% na média móvel de sete dias de novos casos de covid-19 ontem na comparação com sábado, para 9.378, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Foi a primeira vez em que esta média ficou abaixo de 10 mil desde meados de maio do ano passado. A média móvel de mortes caiu 2,2%, para 324.

A média móvel é um indicador mais adequado para avaliar o comportamento da pandemia de covid-19 porque aos finais de semana o número de notificações de casos e o de mortes tendem a cair por questões não relacionadas ao surto da doença – fechamento de unidades de saúde, por exemplo.

Veja abaixo as cotações do Ibovespa, dólar e juros no início da tarde:

IBOVESPA: 113.420 pontos (-1,07%)
DÓLAR À VISTA: R$ 5,5250 (+1,30%)
DÓLAR FUTURO (NOV): R$ 5.564,50 (+1,12%)
DI JAN 2022: 7,384% (+0,36 pp)
DI JAN 2023: 9,33% (+0,5 pp)
DI JAN 2025: 10,25% (+0,5 pp)