PF acusa Rodrigo e Cesar Maia de corrupção e lavagem de dinheiro

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – A Polícia Federal acusou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e seu pai, Cesar Maia, de terem
cometido os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade
ideológica eleitoral por terem solicitado e recebido doações da Odebrecht de forma não declarada – prática conhecida como “caixa 2” – e por meio de
intermediários da construtora para dissimular a origem do dinheiro (“caixa 3”).

Rodrigo Maia
O deputado Rodrigo Maia durante sessão de posse dos Deputados Federais para a 56ª Legislatura. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

De acordo com as investigações, no ano de 2008, quando estavam coordenando a campanha do Democratas no Rio de Janeiro, Rodrigo e Cesar Maia – este último prefeito do Rio de Janeiro à época – pediram à Odebrecht R$ 350 mil em doações, e receberam R$ 300 mil da construtora. O dinheiro foi entregue pessoalmente por João Borba, que ocupava o cargo de executivo da Odebrecht Infraestrutura, na casa de Rodrigo Maia.

Neste ponto, a Odebrecht tinha como objetivo exercer influência sobre os
dois políticos e seus colegas tendo em vista projetos futuros no Rio de
Janeiro.

A PF apontou também que em 2010 Rodrigo e Cesar Maia pediram à Odebrecht uma doação de R$ 1,45 milhão para a campanha de Cesar ao Senado. A companhia pagou R$ 1,05 milhão entre os anos de 2010 e de 2011. Foram R$ 550 mil para Cesar Maia – que ganhou o codinome “déspota” no setor de propina da Odebrecht – e R$ 500 mil entregues para Rodrigo (codinome “Botafogo”), pagos de uma vez em agosto de 2010.

Os R$ 550 mil pagos a Cesar Maia foram divididos em parcelas e distribuídos por empresas ligadas à Odebrecht, que as usou como intermediárias neste processo. Em uma parcela de R$ 100 mil paga em setembro de 2010, os recursos vieram das distribuidoras de bebidas Leyroz de Caxias e Praiamar, do Grupo Petrópolis (Cervejaria Itaipava).

A Polícia diz também que em 2014 houve novos pagamentos indevidos da Odebrecht a Rodrigo Maia e Cesar Maia. Naquele ano, houve uma doação oficial de R$ 200 mil vinda da empresa Praiamar – que teria agido como laranja da Odebrecht – para Rodrigo Maia, assim como uma doação oficial de R$ 50 mil do Grupo Petrópolis à direção nacional do Democratas, que foi direcionada à campanha de Cesar Maia.

“Estão presentes indícios suficientes de que o Deputado Federal Rodrigo
Felinto Ibarra Maia e Cesar Epitácio Maia, vereador da cidade do Rio de
Janeiro, cometeram o delito de corrupção passiva ao solicitarem e receberem contribuições indevidas nos anos de 2008, 2010, 2011 e 2014″, disse a PF em relatório.

“Diante do mesmo suporte probatório, Rodrigo Maia e Cesar Maia praticaram a figura comissiva do tipo penal descrito no artigo 350 do
Código Eleitoral, na modalidade ‘Caixa 3’, ao apresentar apenas as
informações de cunho estritamente formal das doações repassadas por empresas interpostas quando o verdadeiro doador era o Grupo Odebrecht, bem como cometeram o delito de lavagem de dinheiro quando, em 2010 e 2014, ocultaram e dissimularam a origem, com o objetivo de dar lastro e legitimar o recebimento de valores indevidos com as doações eleitorais feitas pelo Grupo Petrópolis e as distribuidoras de bebidas Praiamar e Leyroz, a pedido do Grupo Odebrecht”, acrescentaram.

O relatório agora está sendo analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que tem até 7 de setembro para se manifestar sobre a denúncia feita pela polícia.

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