Petrobras reverte prejuízo e anota lucro de R$ 1,17 bilhão no primeiro trimestre

Foto: Divulgação/Petrobras

São Paulo – O lucro líquido aos acionistas da Petrobras somou R$ 1,17 bilhão no primeiro trimestre, após prejuízo um ano antes. O resultado foi R$ 58,7 bilhões inferior ao quarto trimestre do ano passado, refletindo o impacto da variação cambial no resultado financeiro devido à desvalorização do real frente ao dólar e às reversões de impairment e dos gastos passados com o plano de saúde, ambos ocorridos no trimestre anterior.

A receita líquida cresceu 14,2%, para R$ 86,17 bilhões, em base de comparação anual e foi 4,9% superior ao quarto trimestre, devido, principalmente, à valorização de 38% nos preços do Brent.

“Contribuíram também para este resultado a maior receita com diesel, que atingiu R$ 25,2 bilhões (27% superior ao quarto trimestre de 2020), em função do aumento da participação da Petrobras no mercado de diesel e do crescimento das vendas de diesel S-10, apesar da queda do volume de vendas total de diesel”, disse a estatal, em seu relatório trimestral.

A valorização do Brent também resultou em maiores receitas para os demais derivados, embora o volume de vendas de derivados no mercado interno tenha sofrido redução de 5,6% devido à sazonalidade e às restrições impostas pela covid-19.

O lucro recorrente, que desconta dos resultados eventos que melhoraram ou pioraram o resultado da empresa e não devem se repetir em outros períodos, somou R$ 1,45 bilhão, impactado pelo efeito da depreciação do real sobre a dívida.

O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 49,53 bilhões, após resultado negativo de R$ 29,682 bilhões no primeiro trimestre de 2020. Em termos ajustados – que excluem da conta participações em investimentos, reavaliações nos preços de ativos, resultados com desinvestimentos e realização dos resultados por venda de participação societária -, o ebitda aumentou 30,5%, para R$ 48,949 bilhões.

A dívida líquida da companhia ao fim do primeiro trimestre encolheu 20,1%, para US$ 58,424 bilhões, o que equivale a 2,03 vezes.o ebitda ajustado em dólar acumulado pela Petrobras num período de 12 meses. Um ano antes, este índice era de 2,15 vezes.

“Os números demostram a capacidade do nosso time de gerar resultados sustentáveis para os nossos investidores e para a sociedade em geral, mesmo em um contexto desafiador. A Petrobras continuará a trajetória de geração de valor, com uma gestão pautada na transparência, no diálogo e na racionalidade e com investimentos concentrados nos ativos em que somos reconhecidos como líderes mundiais”, comentou o novo presidente da companhia, Joaquim Silva e Luna, sobre os resultados.

“São números muito fortes e que demonstram que estamos no caminho certo. Vamos continuar com foco total nas estratégias estabelecidas em nosso Plano Estratégico, gerando valor em todas as nossas operações e projetos e administrando nosso portfólio com o objetivo de maximizar retornos para nossos acionistas e demais stakeholders”, disse o CFO Rodrigo Araujo Alves.

O lucro líquido aos acionistas da Petrobras com as operações de exploração e produção somou R$ 21,53 bilhões no primeiro trimestre, após prejuízo um ano antes. A O preço médio do petróleo tipo Brent – a referência no mercado internacional – praticado no período subiu 21,2% na comparação anual, para US$ 60,90 o barril. No Brasil, o preço médio de venda subiu 14,7%, para US$ 57,32 o barril, ficando abaixo do praticado no exterior.

O custo de extração de petróleo e gás no Brasil, chamado de “lifting cost”, teve queda de 16,5%, para US$ 4,91 por barril de petróleo equivalente (boe, na sigla em inglês), sem levar em consideração a participação do governo. Com a participação do governo, o “lifting cost” cresceu 25,4%, para US$ 16,11 por boe. Nos campos do pré-sal, o custo de extração de petróleo e gás diminuiu 2,9% no primeiro trimestre, para US$ 2,71 por boe. Nenhum destes números leva em consideração as despesas da Petrobras com afretamento.

O lucro líquido aos acionistas da Petrobras com as operações de refino somou R$ 6,94 bilhões no primeiro trimestre, após prejuízo um ano antes, enquanto no setor de gás e energia o resultado líquido foi positivo, caindo 40,4%, para R$ 558 milhões.