Petrobras arremata quatro lotes do leilão da Pré-Sal Petróleo

São Paulo – A Petrobras arrematou os quatro lotes ofertados pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), no leilão finalizado a pouco na B3, que comercializou 55,7 milhões de barris de petróleo de propriedade da União dos campos de Búzios, Sapinhoá e Tupi e da Área de Desenvolvimento de Mero, com arrecadação total estimada de R$ 24,8 bilhões, a serem pagos integralmente pela vencedora, que superou as propostas oferecidas por CNDOC e Totalenergies, em lances a viva-voz.

“Estamos muito felizes em participar e ser o agente comercializador do petróleo da União”, disse o diretor executivo da estatal, no encerramento do leilão.

“Hoje estamos licitando 55 milhões, ainda há muito por vir”, declarou Eduardo Gerk, presidente da PPSA.

Seis empresas foram habilitadas mas só quatro indicaram representantes, por isso, duas ficaram de fora (Equinor e Repsol).

DISPUTA POR BLOCOS

O leilão começou com a disputa pelo campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, em que a Petrobras arrematou um lote de 6,6 milhões de barris de petróleo com contrato de 36 meses. As companhias CNODC (que é sócia da estatal brasileira neste campo), Totalenergies e Petrobras ofereceram proposta de diferencial de ágio de R$ 1 por metro cúbico (m/3), R$ 0,35 por m/3 e R$ 0,01 por m/3 e, em seguida, fizeram lances por viva voz, seguindo o valor da maior oferta.

A Petrobras ofertou um ágio de R$ 65 por metro cúbico (m/3), sobre o preço de referência do lote, superando a TotalEnergies (que apresentou ágio de R$ 3 por m3) e a CNODC (R$ 64 por m3).

No concorrência pelo lote de 2,4 milhões de barris de petróleo relativo ao campo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos, a Petrobras ofertou um ágio de R$ 7,35 por m/3, sobre o preço de referência. Houve disputa com a TotalEnergies (que apresentou ágio de R$ 6,35 por m3). O prazo contratual de Sapinhoá é de 60 meses.

Pelo campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, a companhia ofertou um ágio de R$ 3,35 por metro cúbico, sobre o preço de referência do lote – cujo prazo contratual é de 60 meses. Houve disputa com a TotalEnergies (que apresentou ágio de R$ 2,35 por m3). Por fim, a Petrobras também levou o último lote, Mero, de 43,4 milhões de barris de petróleo da União.

DINÂMICA DO LEILÃO

Embora o edital permitisse a realização de consórcio, todas se habilitaram como proponentes individuais. Todas as seis empresas habilitadas já atuam no pré-sal e, com exceção da Petrogal, operam ou participam de consórcio em um dos quatro campos cuja parcela de óleo da União será leiloada, disse a PPSA, em nota, informando que elas atenderam todos os requisitos do edital e tiveram sua documentação de habilitação aprovada pela comissão do leilão.

Foram leiloadas as cargas de Búzios, Sapinhoá, Tupi e Mero, nessa ordem, sendo ofertados contratos cujos prazos podem variar de 24, 36 ou até 60 meses. A maior carga comercializada é da Área de Desenvolvimento de Mero – 43,4 milhões de barris para um contrato de 36 meses, explicou a PPSA.

O leilão ocorreu em uma única fase, de até três previstas, com cada área sendo oferecida por contrato de maior prazo. Cada proponente entregou sua proposta escrita, tendo como base o Preço de Referência (PR) fixado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) para o respectivo petróleo. Como houve mais de um proponente por bloco, foram realizados lances a viva voz, vencidos pela empresa que ofereceu o maior ágio.

Na ausência de proponente para o contrato de maior prazo, o certame previa a realização de uma nova fase, com a reabertura do referido lote para contrato de menor prazo. Da mesma forma, venceria quem ofertasse o maior ágio sobre o PR, podendo ou não ter etapa a viva voz.

Se mesmo assim o lote não fosse comercializado, teria início a fase da Repescagem, com a reapresentação do lote pelo menor prazo, vendo o proponente da menor oferta de deságio em relação ao PR. Da mesma forma que na fase anterior, se houvesse mais de um proponente, teria início o leilão a viva voz, e a PPSA poderia aceitar ou não a oferta.