Pausa em doses de J&J não afeta cronograma de vacinação nos EUA

Foto: Casa Branca

São Paulo – A pausa no uso da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Johnson & Johnson (J&J) não vai afetar o cronograma de vacinação dos Estados Unidos, disse o coordenador de resposta à covid-19 da Casa Branca, Jeff Zients, em coletiva de imprensa.

A Food and Drug Administration (FDA, correspondente à Anvisa no Brasil) recomendou a suspensão no uso da vacina contra covid-19 feita pela Johnson & Johnson após relatos de casos “graves e raros de coagulação sanguínea” ocorridos após a administração das doses.

“O anúncio não vai impactar significativamente nosso programa de vacinação”, disse Zients. “A vacina da Johnson & Johnson representa menos de 5% das doses nos braços dos norte-americanos”, disse ele.

“Temos estoque mais do que suficiente de vacinas da Pfizer e da Moderna para continuar o ritmo atual de cerca de 3 milhões de doses por dia e isso nos coloca bem no caminho para alcançar a meta do presidente Joe Biden de vacinar 200 milhões de pessoas nos primeiros 100 dias no cargo.”

Zients ressaltou que o país está em guerra contra o vírus e assim o governo preparou-se para vários cenários possíveis, e mesmo antes da vacina da J&J ser autorizada garantiu estoques de doses Pfizer e da Moderna suficientes para 300 milhões de norte-americanos até o final de julho.

“Nas últimas cinco semanas, tornamos disponíveis mais de 25 milhões de doses de vacinas da Pfizer e da Moderna por semana. Esta semana, serão disponibilizadas 28 milhões de doses das duas vacinas”, disse, citando que o fornecimento é distribuído assim que chega. Zients afirmou que os horários com doses da J&J serão remarcados.

“O presidente se comprometeu com o povo norte-americano que sua administração sempre será conduzida pela ciência, em falar a verdade, e dar aos norte-americanos os fatos como temos. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), e a FDA fizeram isso”, e farão na medida em que continuam sua revisão.

Zients disse ainda que lidar com a hesitação à vacinas é um desafio que o governo está abordando, ao encontrar pessoas onde elas estão e adotar ações para aumentar confiança em nível local, nas comunidades, por meio de líderes religiosos, entre outras parcerias.

Na mesma coletiva, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, doutor Anthony Fauci, disse que foram relatados seis casos de coagulação em mais de 6 milhões de doses da vacina da J&J administradas no país.

“Milhões de pessoas receberam a vacina sem nenhum efeito adverso. Este é realmente um evento muito raro, se olhar o que sabemos até agora”, disse Fauci, citando que as coagulações ocorreram em menos de uma pessoa em um milhão, e que há uma “abundância de precaução” dos reguladores, uma vez que “segurança é a questão importante”.

Para Fauci, “a FDA mostra que tem um padrão, mostra ao público que serão diligentes e conservadores sobre como lidar com vacinas”. Ele disse que a pausa “é um testemunho de quão seriamente levamos a segurança”.

Segundo ele, a pausa no uso da vacina permite ao CDC e à FDA investigar melhor as causas e entender o histórico de indivíduos envolvidos e jogar luz sobre o que vai acontecer. Além disso, há implicações clínicas importantes, disse, pois pode mudar o tratamento de pessoas afetadas, e para alertar médicos a pedirem históricos de vacinas.

Fauci acrescentou que os casos de coágulos ocorreram de seis a 13 dias após a vacinação, então não afeta quem já tomou a vacina de J&J há mais tempo. Por fim, disse que não há riscos semelhantes nas vacinas da Pfizer e Moderna, que são “muito seguras”.