Ouça o Agência CMA Podcast de 4 de outubro

137

Para ouvir o Podcast, clique no botão logo acima. Se preferir a versão em texto, a transcrição está logo abaixo. Tem sugestões, reclamações, críticas ou elogios? Envie um e-mail para g.nicoletta@cma.com.br.

Olá ouvinte do Agência CMA Podcast. Eu sou Gustavo Nicoletta, editor-chefe da agência, e este é o resumo da semana.

A divulgação de dados negativos sobre a atividade do setor privado dos Estados Unidos abateu a pouca confiança que restava entre os investidores a respeito dos rumos da economia mundial.

Dados divulgados no país mostraram que em setembro a atividade industrial norte-americana caiu ao nível mais baixo em pouco mais de 10 anos. Além disso, fora do setor industrial, a atividade também desacelerou, para o ritmo menos intenso desde 2016.

A fraqueza no setor industrial era algo relativamente esperado, dado o contexto de guerra comercial entre Estados Unidos e China e a valorização do dólar, que serve de obstáculo às exportações norte-americanas.

Os investidores, porém, passaram a operar com uma dose extra de cautela com a disseminação do ambiente negativo para o setor de serviços, que tem uma presença mais significativa na economia dos Estados Unidos.

Os dados levaram o mercado a praticamente dobrar, de uma semana para a outra, as apostas de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, reduzirá a taxa básica de juros no final deste mês.

No Brasil, o mercado sofreu os efeitos do mau humor externo, mas também reagiu negativamente ao fato de que o Senado reduziu a potência fiscal da reforma da Previdência na votação em primeiro turno.

Além das alterações feitas ao texto na Comissão de Constituição e Justiça, que diminuíram a economia prevista na próxima década, mas que devem ser mais que compensadas com a aprovação da chamada PEC paralela, o plenário acatou uma mudança adicional.

Os senadores removeram da reforma da Previdência o trecho que restringia o pagamento do abono salarial – uma espécie de décimo-quarto salário pago a trabalhadores formais que ganham até dois salários mínimos.

O mercado não gostou, e o Ibovespa voltou aos níveis em que estava no início de setembro.

Na próxima semana, no Brasil, o andamento das reformas no Congresso será o tema com mais chance de mexer com os mercados.

Na Câmara dos Deputados, a expectativa é de que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, ou CCJC, vote a proposta que determina o quanto da receita obtida com o leilão de petróleo da cessão onerosa irá para os estados e municípios.

Esta legislação ganhou relevância recentemente porque senadores querem primeiro uma definição sobre a divisão dos recursos para depois votar sobre a reforma da Previdência.

O Senado já votou sobre o assunto, e agora bastaria a aprovação da Câmara para o projeto virar lei. O problema é que, segundo as contas dos congressistas, os deputados só conseguirão votar a legislação depois do leilão, que está marcado para 6 de novembro.

Na quinta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reuniu-se com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para encontrar uma solução. Alguns congressistas propuseram delimitar a distribuição de recursos via medida provisória, mas Maia é contra, por entender que essa seria uma solução inconstitucional.

A próxima semana também trará os dados sobre a inflação de setembro, na quarta-feira, sobre as vendas no varejo em agosto, na quinta-feira, e sobre o desempenho do setor de serviços em agosto, na sexta-feira.

No exterior, a China volta de um feriado e retoma as negociações comerciais com os Estados Unidos, provavelmente na quinta-feira. As notícias sobre estas conversas serão o assunto principal para os mercados mundiais nos próximos dias.

Rumores recentes sugerem que, além das tarifas, exportações e importações, um assunto adicional será discutido nesta reunião: o fluxo de capital entre os dois países.

Os Estados Unidos estariam avaliando limitar os investimentos norte-americanos na China e, se a ideia vingar, seria um grau a mais de tensionamento na relação entre os dois países.

Outro evento relevante da próxima semana será a divulgação, na quarta-feira, da ata da mais recente reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve.

No último encontro, o Fed decidiu reduzir a taxa básica de juros dos Estados Unidos, mas se mostrou dividido e indicou que poderia manter a política monetária inalterada na reunião de outubro.

De lá para cá o cenário econômico mudou, mas a ata pode mostrar o que convenceria a ala menos propensa ao corte de juros a ceder e permitir uma redução das taxas.

Antes da divulgação do documento, o mercado poderá ouvir o presidente do Fed, Jerome Powell, falar em três ocasiões distintas – na segunda, na terça e na quarta-feira.

Na quinta-feira, está prevista a ata do Banco Central Europeu, o BCE. O documento deve indicar que houve quem discordasse da decisão de retomar os estímulos monetários à economia e o mercado buscará pistas sobre o que a instituição faria se o cenário piorasse.

No mesmo dia, o governo dos Estados Unidos publica os dados sobre a inflação em setembro, e a expectativa é de a taxa continue elevada na comparação com as leituras anteriores.

Com isso eu encerro o nosso boletim semanal. Boa semana, bons negócios.