Ouça o Agência CMA Podcast de 30 de agosto

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Olá ouvinte do Agência CMA Podcast. Eu sou Gustavo Nicoletta, editor-chefe da agência, e este é o resumo da semana.

Esta sexta-feira marca o último dia de um mês altamente turbulento para os mercados mundiais.

Embora o resultado do PIB ontem, levemente acima do esperado, tenha injetado um ânimo de última hora na veia dos investidores, foi o acirramento da guerra comercial que se fez presente nas negociações no decorrer de agosto.

Tanto China quanto Estados Unidos decidiram aumentar as tarifas de importação que cobram um do outro.

Os Estados Unidos anunciaram primeiro, no início do mês. A China anunciou retaliação. A Casa Branca retaliou a retaliação chinesa. E ontem o mercado ficou contente em saber que os chineses se abstiveram de contra-atacar, ao menos por enquanto.

Ainda assim, o quadro geral é negativo. No mês, o S&P 500, um dos principais índices acionários dos Estados Unidos, acumula queda de quase 2%, e o Ibovespa cai pouco mais de 1%.

Quando olhamos para o dólar, a situação é bem mais dramática. A moeda está fechando acima de quatro reais no mercado à vista há 10 dias seguidos e se aproxima de um nível recorde, depois de ter subido quase 10% em agosto

Além da guerra comercial, outros fatores contribuem para esse avanço, entre eles a saída dos investidores estrangeiros da nossa bolsa, a preocupação com a recuperação lenta da economia, o nível relativamente baixo dos juros por aqui e a perda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro fora de sua base mais fiel.

Por todos estes fatores, setembro será particularmente relevante. No mês que vem o acirramento das tensões entre Estados Unidos e China vira realidade, pois entram vigor mais tarifas de importação. Isso pode prejudicar ainda mais o crescimento da economia global.

Também deve começar a etapa final de tramitação da reforma da Previdência no Senado. Se for aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça na semana que vem, o texto irá a plenário em seguida.

Se for repetido o roteiro de 2003, quando o governo propôs uma reforma da Previdência e também usou o artifício da chamada PEC paralela para fazer modificações adicionais ao texto sem devolvê-lo inteiramente à Câmara, há chances de o Senado aprovar a reforma ainda este ano.

Por último, setembro deve trazer também um momento importante em termos de política monetária para o Brasil.

O Banco Central do Brasil pode se ver dividido entre cortar os juros novamente – acompanhando as ações de bancos centrais no exterior – ou manter a taxa intacta para evitar uma desvalorização ainda mais profunda do real e, por tabela, o fortalecimento da inflação.

Na próxima semana, no Brasil, o Senado deve retomar a votação do projeto de lei que define como será repartido o dinheiro do leilão da cessão onerosa.

Esta lei é necessária para que estados e municípios também possam receber os recursos e deveria ter sido votada nesta semana, mas sofreu atrasos.

O Senado também deve votar na quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça, a reforma da Previdência.

Entre os indicadores, atenção para os dados sobre a produção industrial, na terça-feira, e a inflação, na sexta-feira.

No exterior, a semana será recheada de indicadores sobre a atividade industrial e do setor de serviços de vários países. Estes números podem oferecer um panorama de como está a atividade econômica global e indicar se a tendência é de que os bancos centrais continuem afrouxando a política monetária.

Falando nisso, quarta-feira é um dia relevante porque quatro integrantes do banco central dos Estados Unidos com direito a voto na próxima reunião devem discursar.

Na sexta-feira, será divulgado o relatório com os dados do mercado de trabalho norte-americano – conhecido como “payroll” – e será conhecida a decisão de política monetária do banco central da Rússia.

Atenção também ao Reino Unido, onde o primeiro-ministro Boris Johnson pode ser alvo de uma moção de desconfiança, e à Itália, onde ainda precisa ser formalizado o novo governo composto por uma aliança entre o Movimento Cinco Estrelas e o Partido Democrático.

Com isso eu encerro o nosso boletim semanal. Boa semana, bons negócios.

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