Ouça o Agência CMA Podcast de 17 de maio

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Olá ouvinte do Agência CMA Podcast, eu sou Gustavo Nicoletta, editor-chefe da agência, e este é o resumo da semana.

Quando o presidente Jair Bolsonaro mencionou num discurso improvisado na semana passada que os próximos dias trariam um “tsunami”, o mercado brasileiro entrou em alerta.

Como o presidente não foi lá muito específico, a declaração ficou aberta a interpretação e, olhando a atual semana em retrospecto, ganhou um tom profético, mais de Nostradamus do que de Messias.

Primeiro, o governo tentou avançar com as votações de medidas provisórias na Câmara dos Deputados. Fracassou.

Depois, amargou uma derrota relevante ao não conseguir impedir que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fosse convocado para depor na Câmara.

Pior: foram 307 votos para obrigar o ministro a comparecer ao plenário – praticamente o número de deputados necessário para aprovar a reforma da Previdência.

Na quarta-feira, mesmo dia em que o ministro foi à Câmara para explicar o congelamento de gastos com Educação, houve protestos justamente contra esta medida. As maiores manifestações ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Paralelamente a isso, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, ajudava a ventilar nas redes sociais teorias de que há uma articulação política em andamento para forçar seu pai a descumprir a lei de responsabilidade fiscal e retirá-lo do cargo.

Outro filho do presidente, Flavio Bolsonaro, voltou aos holofotes após revistas e jornais noticiarem que o Ministério Público do Rio de Janeiro investiga se ele praticou lavagem de dinheiro em transações com imóveis.

Jair Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos para receber uma homenagem, colocou mais lenha na fogueira ao chamar os manifestantes de “idiotas úteis”, dizer que não será um “presidente vaselina”, que agrada a todos, e chamar as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro de “esculacho”.

O quadro político turbulento, somado ao ressurgimento de tensões comerciais e geopolíticas no exterior, teve efeito negativo sobre o mercado brasileiro.

Até ontem, o Ibovespa acumulava queda semanal de 4,5%, e o dólar voltou para níveis observados no início de outubro do ano passado, acima de R$ 4,03.

Na semana que vem, no Brasil, o foco estará sobre o noticiário político. O governo vai concentrar a atenção na Câmara dos Deputados para garantir a aprovação de medidas provisórias que estão para caducar.

A lista inclui a MP 863, que abre o setor aéreo brasileiro a investidores estrangeiros. O esforço do Planalto será também para acelerar a votação da MP 870, que reorganiza os ministérios.

Ela vale até 3 de junho e, se não for aprovada pelo Congresso dentro do prazo, vai criar uma dor de cabeça para Bolsonaro, que terá de restaurar a estrutura administrativa do governo anterior, recriando ministérios.

Outro ponto de tensão no mercado brasileiro será a atualização da programação orçamentária do governo federal, que deve ser divulgada na quarta-feira.

Neste dia, o Planalto deve oficializar uma estimativa menor para o crescimento da economia e indicar se será necessário congelar uma parcela adicional dos gastos públicos.

Se for o caso, o governo corre risco de enfrentar mais uma onda de protestos nas ruas e no Congresso, a exemplo do que ocorreu nesta semana,

Entre indicadores relevantes, na próxima sexta-feira será divulgada a prévia da inflação de maio. A taxa vinha acelerando neste ano, mas no mês passado diminuiu de intensidade.

No exterior, o mercado deve prestar atenção ao discurso do presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, na segunda-feira à noite. Será a primeira manifestação dele após o acirramento da tensão comercial entre o país e a China.

Na quarta-feira, o banco central norte-americano divulga a ata de sua reunião mais recente, ocorrida entre 30 de abril e 1 de maio. O Banco Central Europeu também publica ata, mas na quinta-feira.

O mercado também deve ficar atento para uma eventual decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito de tarifas de importação sobre os carros importados da União Europeia. A expectativa é de que ele adie a adoção da medida.

Com isso eu encerro o nosso boletim semanal. Boa semana, bons negócios.

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