Ouça o Agência CMA Podcast de 16 de agosto

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Olá ouvinte do Agência CMA Podcast. Eu sou Gustavo Nicoletta, editor-chefe da agência, e este é o resumo da semana.

Mais uma vez, prevaleceu sobre os mercados a preocupação com a possibilidade de desaceleração da economia mundial por causa da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Na terça-feira, este receio foi mitigado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que isentou alguns produtos chineses de tarifas de importação que entrarão em vigor em setembro.

Depois disso, a retórica dos dois países ficou mais inflamada. A China acusou os Estados Unidos de desonrarem compromissos firmados numa reunião entre os presidentes dos dois países em julho.

Trump, por sua vez, disse que o acordo comercial com a China será alcançado, mas nos termos desejados pela Casa Branca.

Para piorar a situação, ele também fez sugestões não solicitadas sobre qual deveria ser a postura do governo chinês em relação aos protestos em Hong Kong. A China rebateu, dizendo que o assunto interessa apenas ao governo chinês.

A dúvida duradoura em relação ao fim da tensão entre os Estados Unidos e a China está afetando as expectativas do mercado e, com isso, provocando uma reação dos bancos centrais. Vários deles reduziram as taxas de juros em preparação para uma potencial desaceleração econômica.

Este movimento foi seguido e reforçado pelos investidores. No mercado norte-americano, a pressão negativa sobre as taxas foi tão intensa que acentuou a chamada inversão da curva de juros nos títulos de dívida locais.

Normalmente, as taxas de juros são baixas para empréstimos de curto prazo e maiores para os de longo prazo. O principal motivo para isso é compensar o risco envolvido na operação, que cresce de acordo com a duração do empréstimo.

A inversão da curva de juros, porém, deixa as taxas de longo prazo menores que as de curto prazo, sugerindo que o mercado está mais preocupado com o futuro próximo.

Este fenômeno tende a ocorrer antes de recessões econômicas e já vinha se manifestando há alguns meses, mas ganhou força recentemente, com as taxas de juros dos títulos de 30 anos atingindo mínima recorde e as dos papéis de 10 anos operando abaixo das taxas projetadas pelos títulos de dois anos.

Outro elemento preocupante nesta semana foi a reação extremamente negativa dos investidores na Argentina à derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições primárias do país.

As primárias na Argentina servem essencialmente para enxugar a lista de candidatos que disputarão a eleição em outubro, mas Macri ficou em segundo lugar, 15 pontos porcentuais atrás da chapa da oposição, formada por Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner.

As pesquisas divulgadas antes das eleições primárias previam empate técnico entre Macri e Kirchner. Se o resultado das primárias se repetir na eleição de outubro, a oposição levará a presidência Argentina no primeiro turno. O Goldman Sachs considerou o placar praticamente irreversível.

Os investidores reagiram muito mal ao resultado. Na segunda-feira, um dia depois das eleições primárias, o Merval, índice do mercado de ações da Argentina, caiu 37,9%, e o peso argentino caiu quase 20% em relação ao dólar.

Na próxima semana, no Brasil, o indicador mais relevante a ser divulgado será o IPCA-15, que trará a prévia da inflação de agosto.

No lado político, a reforma da Previdência continua sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e a expectativa é de que a primeira versão do parecer seja apresentada até a próxima sexta-feira, dia 23. A leitura do relatório na comissão, porém, só deve acontecer na outra semana, em 28 de agosto.

Na Câmara, o principal tema em tramitação é a reforma tributária. O texto está em análise em comissão especial e a partir de terça-feira o assunto começará a ser debatido em audiências públicas.

Os investidores, porém, devem ficar atentos aos desdobramentos da aprovação do projeto de lei contra o abuso de autoridade. A dúvida neste momento é se o presidente Jair Bolsonaro vai sancionar ou vetar o texto.

Algumas associações civis, entre elas órgãos que reúnem juízes, e até mesmo ministros – como a de Direitos Humanos, Damares Alves – se posicionaram contra o projeto de lei.

Bolsonaro disse que a decisão sobre eventuais vetos virá depois de o texto ser analisado por ele e seu gabinete – que inclui o ex-juiz federal Sérgio Moro.

O assunto deixa o governo federal numa encruzilhada, pois o veto pode desagradar ao Congresso – cuja relação com Bolsonaro tem sido pragmática, na melhor das hipóteses –, e a ausência de vetos pode afetar a popularidade do presidente junto a sua base eleitoral mais fiel.

No exterior, a agenda está cheia. Na quarta e na quinta-feira, os bancos centrais dos Estados Unidos e da zona do euro divulgarão, respectivamente, as atas de suas mais recentes reuniões de política monetária.

Os investidores buscarão nos documentos detalhes sobre os próximos passos das duas instituições em relação aos juros – especificamente, sinais de um estímulo monetário mais permanente.

Pelo mesmo motivo, será igualmente relevante o discurso do presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, no tradicional simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira.

Também está prevista para a próxima semana uma audiência do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, no Senado. Estão aumentando gradualmente as chances de o atual governo italiano ser destituído por uma moção de desconfiança, abrindo espaço para um novo governo de imediato ou para a convocação de novas eleições.

Com isso eu encerro o nosso boletim semanal. Boa semana, bons negócios.

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